Anvisa apreende e proíbe autoinjetor de adrenalina Epipen vendido em farmácia
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e proibição completa de um autoinjetor de adrenalina da marca Epipen, medicamento utilizado para tratamento emergencial de reações alérgicas graves. A resolução, publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira, 2 de abril de 2026, veda o armazenamento, transporte, distribuição, divulgação e comercialização do produto em todo o território nacional.
Irregularidade na importação e falta de registro
O dispositivo médico, importado pela Farmácia Pague Menos, é de origem estrangeira e não possui registro junto à Anvisa, conforme exigido pela legislação brasileira. "Medicamentos clandestinos não têm garantia de composição, origem, eficácia e segurança", alertou a agência em comunicado oficial. A Anvisa enfatizou que produtos sem registro não podem ser utilizados no país, independentemente de sua procedência.
Em resposta à determinação, a Pague Menos enviou nota à imprensa negando tanto a importação quanto a comercialização do Epipen. "A companhia esclarece, porém, que não importa o produto e, portanto, não o comercializa. A rede reafirma estar em conformidade com as orientações das autoridades sanitárias", declarou a farmácia.
Importância do autoinjetor de adrenalina para emergências alérgicas
O autoinjetor ou caneta de adrenalina, também conhecida como epinefrina, é o único medicamento capaz de tratar todos os sintomas da anafilaxia, uma reação alérgica grave que pode ser fatal. Entre os sintomas tratáveis estão:
- Urticária e inchaço nas partes moles do corpo
- Dificuldade respiratória e taquicardia
- Choque anafilático, que pode levar à morte
O dispositivo é indicado para pessoas com histórico de reações graves a alimentos como amendoim, crustáceos e outros alergênicos, além de pacientes com asma. A aplicação deve ser imediata ao primeiro sinal de contato com substâncias alergênicas ou manifestação de sintomas.
Desafios no acesso a autoinjetores no Brasil e no mundo
Em documento de 2024, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) alertou sobre a escassez global de autoinjetores de adrenalina. Apenas 32% dos 195 países do mundo fabricam esses dispositivos, sendo a maioria nações de alta renda. No Brasil, a situação é particularmente crítica, pois os autoinjetores não são comercializados devido à ausência de registro na Anvisa, exigindo importação individual com custos elevados.
Atualmente, o valor de importação de um autoinjetor pode chegar a R$ 4.000, tornando o acesso extremamente difícil para a maioria da população. Um grupo de pesquisadores brasileiros desenvolveu a primeira versão nacional do dispositivo em 2024, com potencial para chegar ao mercado por aproximadamente R$ 400, mas o produto ainda não está disponível comercialmente.
Contexto de apreensões recentes pela Anvisa
Esta não é a primeira vez que a Anvisa age contra produtos irregulares na área da saúde. Recentemente, a agência também apreendeu:
- Chá produzido em galpão clandestino
- Suplemento alimentar ligado a surto de infecções nos Estados Unidos
- Lotes falsificados da caneta antiobesidade Mounjaro
Essas ações reforçam o compromisso da agência com a segurança sanitária e a proteção da saúde pública brasileira contra produtos sem garantia de qualidade e eficácia.



