Anvisa rejeita registro de novas canetas antiobesidade com semaglutida e liraglutida
Anvisa nega registro de novas canetas antiobesidade no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomou uma decisão que impacta diretamente o mercado de medicamentos para obesidade e diabetes tipo 2 no Brasil. Nesta segunda-feira (13), o Diário Oficial da União publicou a rejeição de pedidos de registro de três novas canetas antiobesidade, que utilizam os princípios ativos semaglutida e liraglutida.

Detalhes dos produtos rejeitados

A empresa Cipla Brasil apresentou dois medicamentos à base de liraglutida, denominados Plaobes e Lirahyp. Ambos consistiam em soluções injetáveis de 6 mg/mL, diferenciando-se pelo número de canetas aplicadoras incluídas: um produto vinha com duas canetas, enquanto o outro oferecia três. Paralelamente, a farmacêutica Dr. Reddys buscava autorização para o Embeltah, um medicamento de semaglutida apresentado como solução injetável de 1,34 mg/mL, acompanhado de caneta aplicadora e agulhas.

Impacto no mercado brasileiro

Essas versões pretendiam ingressar no mercado nacional como alternativas às opções já disponíveis. Com a negativa da Anvisa, espera-se uma maior concentração das marcas previamente aprovadas, o que pode resultar em uma oferta ainda limitada frente à demanda existente e a manutenção de preços elevados para os consumidores. A reportagem tentou contato com ambas as empresas mencionadas, mas não obteve retorno até o momento da publicação.

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Entenda os princípios ativos envolvidos

Liraglutida: Este princípio ativo funciona de maneira semelhante ao hormônio GLP-1, naturalmente produzido pelo intestino. Ele aumenta a produção de insulina após as refeições, retarda o esvaziamento gástrico e promove sensação de saciedade. Esses efeitos combinados reduzem o apetite e a ingestão de alimentos, levando à perda de peso e auxiliando no controle da glicemia em pacientes com diabetes.

Semaglutida: Também um análogo de GLP-1, a semaglutida está presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk. Este princípio ativo demonstra maior potencial em resultados, com perda de peso que pode chegar a cerca de 15%, em comparação com 5% a 10% promovidos pela liraglutida.

Tirzepatida: Embora não seja foco desta rejeição específica, vale mencionar que este composto, encontrado no Mounjaro da Eli Lilly, atua como dois hormônios: além do GLP-1, ele estimula o receptor do GIP, outro regulador de apetite, saciedade e produção de insulina. A tirzepatida pode proporcionar perda de peso de até 20%.

Considerações importantes sobre o tratamento

É crucial destacar que esses medicamentos oferecem proteção cardiovascular em diferentes proporções, reduzindo o risco de eventos como infarto e AVC em indivíduos com diabetes, obesidade ou risco para doenças cardíacas. No entanto, eles não agem isoladamente: são classificados como tratamento adjuvante, funcionando em conjunto com medidas como alimentação saudável e prática regular de exercícios físicos.

A publicação da Anvisa não detalhou as justificativas para a proibição dos novos produtos. O órgão regulador foi contatado para esclarecimentos, e aguarda-se uma resposta oficial. Esta decisão ocorre em um contexto em que a Anvisa anunciou revisão das regras sobre canetas emagrecedoras no Brasil, indicando possíveis ajustes futuros no marco regulatório deste segmento farmacêutico.

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