Anvisa detalha falhas graves na fábrica da Ypê durante inspeção
Anvisa detalha falhas graves na fábrica da Ypê

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, na quinta-feira, 7, o recolhimento de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca Ypê. A decisão foi baseada em problemas graves identificados nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade dos saneantes fabricados pela empresa. Em entrevista exclusiva a VEJA, a Anvisa detalhou os achados da inspeção realizada entre os dias 27 e 30 de abril na fábrica localizada em Amparo, interior de São Paulo.

Problemas estruturais na fábrica

De acordo com a agência reguladora, foram encontradas “falhas estruturais muito graves de garantia de qualidade” que afetam diversas etapas do processo produtivo. Imagens feitas no local revelam equipamentos com marcas de corrosão utilizados na produção de detergentes e sabões líquidos para roupas. Entre os principais problemas identificados estão:

  • Produtos armazenados de forma inadequada dentro da fábrica
  • Falhas no sistema de controle de qualidade
  • Dificuldade para rastrear a origem e o percurso dos produtos durante a produção
  • Reprocessamento de produtos sem critérios adequados
  • Problemas na limpeza das instalações industriais
  • Falhas no controle da água utilizada na fabricação
  • Armazenamento incorreto de matérias-primas ou produtos acabados
  • Falta de segregação entre etapas e materiais
  • Controle insuficiente de microrganismos, como bactérias e outros contaminantes

Segundo a Anvisa, esse conjunto de irregularidades aponta para fragilidades estruturais no sistema de garantia de qualidade da fábrica, comprometendo a confiabilidade dos controles sanitários e a segurança do processo produtivo.

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Histórico de irregularidades

A agência destacou que a decisão não se baseia apenas na inspeção mais recente. “O histórico da fabricante também entrou na avaliação de risco sanitário”, informou em nota. Levantamento no sistema de produtos irregulares da Anvisa mostra que, além da medida atual, há registros de uma suspensão em 2025, quando foi identificada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, perigosa especialmente para pessoas imunossuprimidas, e cerca de sete ocorrências em 2024. A Anvisa ressalva que nem todas as decisões permanecem vigentes, pois parte das irregularidades pode ter sido corrigida após intervenções anteriores.

O caso segue para a próxima etapa na agência. Na quarta-feira, 13, a Diretoria Colegiada da Anvisa analisará o recurso apresentado pela Ypê e decidirá se mantém ou suspende os efeitos da medida sanitária.

Posicionamento da Ypê

Em nota, a Ypê afirmou possuir “fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes” e sustentou que os produtos atingidos pela medida “são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”. A empresa declarou que mantém diálogo contínuo e colaborativo com a Anvisa e, com a apresentação de informações e evidências técnicas adicionais, confia plenamente na reversão da decisão no menor prazo possível.

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