Anvisa aprova versão multidose do Mounjaro para diabetes e controle de peso
Anvisa aprova Mounjaro multidose para diabetes e obesidade

Anvisa aprova versão reutilizável do Mounjaro para tratamento de diabetes e obesidade

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira, 18 de setembro, o registro da versão multidose do medicamento Mounjaro, desenvolvido pelo laboratório americano Eli Lilly. O fármaco, à base do princípio ativo tirzepatida, é indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e para o controle do peso em pacientes com obesidade ou sobrepeso.

Nova apresentação reutilizável promete maior praticidade

Diferentemente das canetas descartáveis já disponíveis no mercado brasileiro, que contêm uma dose única cada, a nova versão utiliza um dispositivo reutilizável que permite múltiplas aplicações a partir de um mesmo frasco. "Anteriormente, quando se comprava o Mounjaro, tinham quatro canetas, cada uma com uma dose única de aplicação", explica o endocrinologista Felipe Henning Gaia Duarte, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia regional de São Paulo (Sbem-SP). "Essa caneta atual vem com as quatro doses dentro e você regula cada dose para aplicar, durando o mês inteiro."

O tratamento com o Mounjaro funciona em doses semanais, totalizando quatro aplicações por mês. A versão multidose estará disponível em seis concentrações diferentes: 4,17 mg/ml, 8,33 mg/ml, 12,5 mg/ml, 16,7 mg/ml, 20,8 mg/ml e 25 mg/ml. Em comunicado oficial, a Eli Lilly afirmou que o novo dispositivo "mantém os padrões de qualidade, segurança e eficácia" do medicamento original.

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Expectativa de redução de preços e impacto na adesão ao tratamento

Ainda não há uma estimativa oficial do valor da nova apresentação no Brasil, pois a empresa aguarda a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed). Atualmente, a versão já disponível – vendida em caixas com quatro canetas descartáveis – custa entre R$ 1.400 e R$ 2.800, conforme consultas realizadas em farmácias.

Segundo o presidente da Sbem-SP, não há expectativa de elevação de custos com a mudança de formato, e sim possibilidade de redução. "Por ter menos componentes na parte industrializada, esperamos alguma redução de preço em relação às canetas separadas, o que poderia melhorar a adesão ao tratamento", afirma Duarte. A compra do medicamento continua exigindo receita médica obrigatória.

Mecanismo de ação e segurança do medicamento

A tirzepatida é um análogo duplo que atua nos receptores dos hormônios gastrointestinais GLP-1 e GIP, responsáveis por regular o apetite e os níveis de glicose no sangue. Ao simular essas substâncias produzidas naturalmente pelo organismo após a ingestão de alimentos, o medicamento aumenta a sensação de saciedade, reduz a ingestão calórica e promove a perda de peso. Estudos clínicos indicam perda média de 20% do peso corporal após 72 semanas de tratamento contínuo.

A aplicação é subcutânea, realizada na camada de gordura sob a pele. Os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais, incluindo náusea, constipação, diarreia e vômito. Quanto à segurança da nova apresentação, o especialista garante que não há preocupações adicionais. "Como a caneta é programada para aplicar a dose recomendada, o principal risco seria o paciente não regulá-la corretamente e acabar usando uma dose menor, o que reduziria o efeito do medicamento, mas não representaria risco à saúde", esclarece Duarte.

Recomendações médicas e uso adequado

A Sbem-SP também não identifica distinções significativas entre o novo formato e as canetas individuais no que diz respeito ao uso inadequado para emagrecimento sem indicação médica. Especialistas reforçam que o Mounjaro deve ser visto como uma ferramenta auxiliar no processo de perda de peso, e não como solução isolada.

Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física regular são fundamentais para evitar o reganho de peso ao longo do tratamento, alertam os profissionais de saúde. A aprovação da versão multidose representa um avanço na oferta de opções terapêuticas mais práticas e potencialmente mais acessíveis para milhões de brasileiros que convivem com diabetes tipo 2 e obesidade.

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