Publicitária de Rio Preto enfrenta década de incertezas até diagnóstico de doença rara
Uma publicitária de 34 anos, natural de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, viveu dez anos de dúvidas e sintomas antes de receber o diagnóstico preciso da Síndrome de Sjögren. Ana Claudia Wicher aproveitou o Dia Mundial das Doenças Raras, celebrado neste sábado (28), para compartilhar sua jornada marcada por desafios médicos e emocionais.
Primeiros sintomas e dificuldades no diagnóstico
Os primeiros sinais apareceram com inchaço no rosto e dificuldade para comer, sintomas que inicialmente foram confundidos com outras condições. "Meu maior desafio foi encontrar um profissional que fizesse uma análise detalhada e chegasse ao diagnóstico com exatidão", revela Ana Claudia ao descrever o percurso até a descoberta da síndrome autoimune.
Além da Síndrome de Sjögren, a publicitária convive com outras condições de saúde:
- Urticária crônica
- Fibromialgia
- Hashimoto
- Enxaqueca
Casos atípicos e desafios clínicos
Enquanto a maioria dos pacientes apresenta boca e olhos secos como sintomas principais, devido ao comprometimento das glândulas salivares e lacrimais, Ana Claudia é considerada assintomática para essas manifestações clássicas. Seu único sintoma visível era a parotidite, uma inflamação nas parótidas que causa dor, dificuldade de alimentação e inchaço facial semelhante à caxumba.
"Meu diagnóstico veio depois de dez anos do primeiro sintoma. Logo de início, fui diagnosticada com o canal da saliva entupido e, como opção, o médico me sugeriu uma cirurgia para a retirada da parótida", recorda a publicitária sobre as primeiras avaliações equivocadas.
O momento do diagnóstico e o tratamento
Em julho de 2022, após consultar diversos especialistas, Ana Claudia finalmente recebeu o diagnóstico correto. "Foi um período de muita tensão e medo de complicações", descreve sobre o momento da revelação. O tratamento inicial incluiu hidroxicloroquina, medicamento que pode causar efeitos colaterais sérios com uso prolongado.
"No começo, fiquei bem chateada e com medo, principalmente com o tratamento inicial. Mas, com o apoio da família, que foi essencial nesse processo e com bons médicos, eu entendi que poderia levar uma vida normal, dentro das minhas possibilidades", compartilha sobre o processo de aceitação.
Abordagem integrativa e qualidade de vida
Após estabilizar o quadro com a hidroxicloroquina, Ana Claudia optou por uma abordagem terapêutica mais ampla:
- Cannabis medicinal
- Alimentação saudável sem glúten e lactose
- Atividades físicas regulares
- Vitaminas injetáveis
"Foi um susto, mas hoje eu levo um estilo de vida mais saudável, regrado, com atividades físicas, meditação e caminhada e com consciência corporal", finaliza sobre sua nova rotina.
Esclarecimentos médicos sobre a síndrome
A médica Paula Vinha, PhD e mestre em clínica médica pela Universidade de São Paulo (USP), que acompanha Ana Claudia, explica que a Síndrome de Sjögren é uma condição autoimune, crônica, sem cura e multissistêmica. "Ana tinha múltiplas síndromes: Síndrome de Sjögren, Síndrome do Intestino Irritável, enxaqueca e fibromialgia. Os sintomas dela são típicos de um paciente que sofre e os médicos não acham nada nos exames", detalha a especialista.
Segundo a médica, o diagnóstico está associado à deficiência clínica crônica do sistema endocanabinoide, o que exige uma abordagem integral do paciente. "É por isso que eu falo que esses aplicativos que fazem consulta em dez, 15 minutos não funcionam, porque você precisa entender o paciente inteiro", alerta sobre a importância do acompanhamento especializado.
Doenças raras e subnotificadas no Brasil
No contexto brasileiro, condições como a Síndrome de Sjögren e a enxaqueca crônica ainda são consideradas doenças raras e subnotificadas. A especialista observa que essas manifestações frequentemente aparecem em idade tardia entre mulheres, muitas vezes associadas à menopausa.
"A gente pode, sim, tentar tratar todas essas doenças: quanto antes, melhor, para que o paciente tenha melhor qualidade de vida e um melhor resultado com a terapêutica", reforça Paula Vinha sobre a importância do diagnóstico precoce e tratamento adequado.
O caso de Ana Claudia se soma ao de outras personalidades públicas que também enfrentam a condição, como a ex-BBB e apresentadora Fernanda Keulla, que em 2025 revelou seu diagnóstico e ajudou a divulgar informações sobre essa síndrome ainda pouco conhecida pela população geral.



