Menino de 10 anos supera depressão com crochê em Araraquara
Menino supera depressão com crochê em Araraquara

Mãos pequenas, mas extremamente habilidosas. O que começa como linhas soltas rapidamente se transforma em desenhos detalhados nas mãos de Rene Alberto Raphael Vicente, de 10 anos, morador de Araraquara, interior de São Paulo. A agilidade com que o garoto faz crochê chama a atenção e revela um talento que surgiu de forma espontânea.

Mais do que um passatempo, o crochê ganhou um papel importante na vida do menino. Em 2024, René ficou internado por dois meses após perder os movimentos das pernas. Foi nesse período que o crochê passou a fazer parte da rotina, com vídeos que via na internet. Na época, os médicos apontaram o quadro como consequência de depressão e ansiedade, desencadeadas após a mãe ser hospitalizada com dengue hemorrágica.

Internação e superação

Durante a internação, ele precisou usar cadeira de rodas e tinha dificuldade até para dar poucos passos. Sem nunca ter feito aulas, ele aprendeu a técnica assistindo a vídeos na internet. Com o tempo, memorizou os pontos e passou a produzir peças sem precisar de instruções. “Eu já acostumei com os pontos. Quando eu já fiz uma peça alguma vez, não preciso mais ver vídeo aula. Eu já decorei a receita”, contou.

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“No hospital, ele começou fazendo pequenos mimos para as enfermeiras”, lembrou a mãe, Rosana Mariano de Campos.

Crocheteiro nato e disciplinado

A família percebeu cedo que não se tratava apenas de uma brincadeira. O que começou como curiosidade virou dedicação, e segundo a mãe, um dom. “Eu vi que não era só uma coisinha para ele brincar. Era algo que ele ia desenvolver cada vez mais. Ele não para. É um dom que veio com ele para continuar”, comentou.

René mantém uma rotina disciplinada. Depois da escola, dedica horas ao crochê. No quarto, os brinquedos deram lugar a novelos de linha, agulhas e até uma máquina de costura. A mãe comentou que em datas comemorativas, o pedido sempre é o mesmo: barbantes. Seja no Natal e aniversário, o pedido sempre é o mesmo para produzir peças novas.

Evolução rápida

O garoto começou com itens simples, como tapetes e toalhas, mas evoluiu rapidamente para peças mais elaboradas, como sousplats e até roupas. “Já fiz um biquíni, mas demoro para fazer. Agora quero aprender a fazer roupa, e estou fazendo caminho de mesa, tapetes e sousplats. Eu amo fazer crochê, gosto muito”, contou.

Entre os desafios, ele ainda quer aperfeiçoar a produção de panos de prato e ampliar a confecção de vestuário. O talento já começa a trazer retorno financeiro. René passou a receber encomendas e vender os produtos em feiras, transformando o que era terapia em uma fonte de renda. A família segue incentivando cada passo. “Eu apoio tudo o que ele quiser fazer. Eu só não consigo aprender, deixei o dom pra ele mesmo”, concluiu a mãe.

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