Insatisfação corporal entre adolescentes brasileiros atinge 27,2%, com maior impacto nas meninas
Insatisfação corporal em adolescentes cresce; meninas são mais afetadas

Insatisfação corporal entre adolescentes brasileiros atinge 27,2%, com maior impacto nas meninas

O sentimento de bem-estar dos adolescentes brasileiros em relação ao próprio corpo vem sofrendo um declínio contínuo e preocupante na última década. Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de jovens de 13 a 17 anos que se declaram "satisfeitos" ou "muito satisfeitos" com sua imagem corporal caiu para apenas 58,0%. Esse número representa uma queda significativa em comparação com 66,5% em 2019 e 70,2% em 2015, evidenciando uma tendência negativa que se acentua ao longo dos anos.

Dados alarmantes e disparidade de gênero

Ao mesmo tempo, o índice de insatisfação subiu para 27,2%, enquanto 14,0% dos adolescentes afirmaram indiferença sobre o tema. A insatisfação com a aparência atinge de forma mais intensa as meninas, revelando uma disparidade de gênero alarmante. O levantamento mostra que 36,1% das adolescentes do sexo feminino estão insatisfeitas com o corpo, o que representa praticamente o dobro do percentual registrado entre os meninos, que é de 18,2%.

A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação. Esta é a quinta edição do levantamento, feita em 2024, e abrange mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de todo o país. O questionário foi aplicado diretamente com os alunos, que responderam sobre sua percepção corporal, e também com diretores das escolas, que abordaram questões relacionadas à instituição e seu entorno.

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Autopercepção e busca pela alteração de peso

Quanto à forma como se vêem, a maioria dos estudantes (44,7%) se autodeclara como "nem gordo, nem magro". No entanto, houve um aumento sucessivo na percepção de ser "magro" ou "muito magro", saltando de 27,6% em 2015 para 36,9% em 2024. Já a percepção de ser "gordo" ou "muito gordo" recuou para 17,6%.

Essas percepções refletem-se diretamente nas atitudes dos jovens em relação ao peso:

  • Perda de peso: É o objetivo principal das meninas (31,7% contra 23,1% dos meninos) e é mais comum entre alunos de escolas privadas (36,8%).
  • Ganho de peso: É o desejo predominante entre os meninos (25,0% contra 20,2% das meninas).
  • Manutenção: Cerca de 36,3% dos adolescentes afirmaram não estar fazendo nada para alterar o peso atual.

Bullying e violência escolar ligados à aparência

A preocupação com a estética não afeta apenas a saúde mental individual, mas é uma das motivações centrais para a violência entre pares nas escolas. A PeNSE 2024 aponta que a aparência do rosto ou do cabelo (30,2%) e a aparência do corpo (24,7%) são os motivos mais citados pelos estudantes para terem sofrido bullying. Esse dado reforça a centralidade dos padrões corporais na rotina de agressões e humilhações enfrentada por mais de um quarto dos escolares brasileiros.

Vulnerabilidade emocional e saúde mental

Os resultados da PeNSE 2024 também abordam a vulnerabilidade emocional entre os adolescentes, revelando índices preocupantes. Cerca de 29% dos estudantes nessa faixa etária relataram se sentir tristes "na maioria das vezes" ou "sempre" nos 30 dias anteriores à pesquisa. O índice é profundamente desigual entre meninos e meninas:

  • Enquanto o percentual de adolescentes do sexo masculino que relataram tristeza é de quase 17%, o valor para o sexo feminino na mesma faixa de idade é mais que o dobro: 41% das estudantes.

O IBGE também acessou na PeNSE dados específicos sobre saúde mental:

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  1. 18,5% dos adolescentes brasileiros consideraram que a vida não vale a pena ser vivida. Essa proporção chega a 25% para as meninas.
  2. As estudantes do sexo feminino também são as que relatam maior irritabilidade e mau humor: 58,1%, contra 27,1% dos adolescentes do sexo masculino.
  3. 26,1% de todos os estudantes sentem que ninguém se preocupa com eles.

Esses números destacam uma crise silenciosa que afeta a juventude brasileira, com implicações sérias para o bem-estar e o desenvolvimento saudável dos adolescentes.