Dia Mundial de Conscientização do Autismo destaca importância do diagnóstico em adultos
Neste 2 de abril, quando se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma realidade significativa: o Brasil possui mais de 2 milhões de pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em Sorocaba, no interior de São Paulo, histórias emocionantes de pacientes e familiares demonstram que, mesmo quando o diagnóstico chega tardiamente na vida adulta, o acompanhamento especializado se torna um pilar fundamental para o bem-estar e, principalmente, para a tão necessária autocompreensão.
O divisor de águas do diagnóstico na maturidade
Para Ariadne Sayuri Henrique, moradora de Sorocaba, receber o diagnóstico de autismo já na fase adulta representou um verdadeiro divisor de águas em sua existência. Ela relata que a descoberta permitiu finalmente entender diversas dificuldades que enfrentou persistentemente desde a infância, oferecendo clareza sobre padrões que antes pareciam inexplicáveis.
"O autista é muito visto como incapaz, mas nosso cérebro só funciona de uma maneira diferente. No começo foi um pouco difícil a autoaceitação, mas quando as coisas começaram a se encaixar, foi como se tivessem tirado um peso de mim. Finalmente consegui viver", compartilha Ariadne, que hoje realiza terapia regularmente e considera as sessões essenciais para sua qualidade de vida.
Aumento de diagnósticos em adultos e características do TEA
Segundo a médica Marisa Scarlet de Barros, especialista no tratamento do Transtorno do Espectro Autista, os casos diagnosticados em adultos têm se tornado cada vez mais frequentes na prática clínica. Ela explica que o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a comunicação e a interação social, manifestando-se através de características específicas.
"Essa pessoa vai ter dificuldades para se comunicar. Pode ter movimentos repetitivos, sensibilidade a barulhos e lugares cheios", detalha a especialista, reforçando que, ao identificar esses sinais, o primeiro passo crucial é buscar uma avaliação médica qualificada, independentemente da idade do indivíduo.
A jornada pelo diagnóstico na infância e o apoio familiar
Enquanto alguns descobrem o autismo na vida adulta, outras famílias iniciam essa busca ainda durante a infância dos filhos. Evelin de Almeida, também residente em Sorocaba, relata que seu filho passou por diversas consultas e avaliações até finalmente receber o laudo de autismo nível de suporte 2. Para ela, todo o esforço valeu intensamente a pena, pois permitiu que a criança tivesse acesso a intervenções adequadas e, consequentemente, mais qualidade de vida.
"A inclusão não é só para a criança, os pais também precisam ser incluídos, porque a gente fica perdido. Ter uma terapeuta te indicando o caminho, trocando experiências, faz toda a diferença", conta Evelin, destacando a importância do suporte profissional para toda a família.
A batalha pelos direitos e a atuação das associações
A conscientização sobre os direitos e necessidades das pessoas autistas configura-se como uma batalha diária e contínua. Regina Célia Humayta, fundadora da Associação Amigos dos Autistas de Sorocaba (Amas), enfatiza que, embora exista legislação específica, sua aplicação prática nem sempre ocorre de maneira efetiva.
"Existe a lei, mas muitas vezes não é cumprida. A pessoa com autismo tem direito à saúde e à educação, mas existe uma luta para conseguir, muitas vezes tendo que entrar na Justiça", pontua Regina, que junto com seu esposo, Célio Humayta, presidente da Amas, luta pela causa há mais de três décadas, motivados pela busca por qualidade de vida de seu próprio filho, que também possui diagnóstico de TEA.
"No início, eu tinha um filho. Hoje, eu tenho 130", resume Célio, sobre como sua jornada pessoal transformou-se em uma missão coletiva que atualmente atende dezenas de famílias através de atividades terapêuticas e educacionais cuidadosamente planejadas.
Os desafios do preconceito e a esperança por inclusão
João Vitor, de 19 anos, é um dos jovens atendidos pela Amas. Apaixonado por dinossauros, ele está sempre acompanhado da mãe, Adeilda da Silva, que participa ativamente de sua rotina na associação. Para ela, o maior desafio persistente continua sendo o preconceito social enraizado.
"Meu sonho, e acho que é o de todas as mães, é que o mundo saiba incluir o autismo. Nós estamos preparados para as nossas crianças, a gente aprende com eles todos os dias. Só que o mundo não está preparado para elas. Espero um mundo melhor, sem preconceito", desabafa Adeilda, expressando um anseio compartilhado por inúmeras famílias em todo o país.
Os serviços oferecidos pela Amas funcionam através de sedes terapêuticas e educacionais, onde os assistidos possuem uma rotina personalizada de atividades pensada individualmente para cada um, recebendo ainda suporte com alimentação e transporte. Esta estrutura demonstra como o acompanhamento especializado, seja através de diagnósticos precoces na infância ou de descobertas tardias na vida adulta, representa um caminho fundamental para a autocompreensão, a aceitação e a plena inclusão social das pessoas com Transtorno do Espectro Autista.



