IBGE revela: Meninas sofrem mais com saúde mental na adolescência que meninos
Meninas sofrem mais na adolescência que meninos, diz IBGE

IBGE revela cenário alarmante na saúde mental de adolescentes brasileiras

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traçam um panorama profundamente preocupante sobre a saúde mental dos adolescentes no Brasil, evidenciando uma vulnerabilidade significativamente maior entre as meninas. O estudo, realizado em 2024 com alunos de 13 a 17 anos de escolas públicas e privadas de todo o país, incluiu pela primeira vez um questionário específico sobre autolesão, acendendo um alerta vermelho para a ideação automutilatória entre os jovens.

Disparidades de gênero são gritantes em todos os indicadores

Enquanto um em cada três jovens brasileiros (32%) relatou já ter sentido vontade de se machucar de propósito, esse percentual salta para 43,4% quando consideradas apenas as estudantes do sexo feminino, mais que o dobro do registrado entre os meninos (20,5%). As disparidades se repetem em praticamente todos os aspectos emocionais analisados pela pesquisa.

O estudo revela que uma em cada quatro meninas (25%) considera que a vida não vale a pena ser vivida, um índice que também é mais que o dobro do observado entre os meninos (12%). Além disso, 41% das jovens relataram sentir-se tristes na maioria das vezes ou sempre, enquanto entre os rapazes esse índice é de apenas 16%.

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Autoavaliação negativa e exposição a violências

A autoavaliação de saúde mental negativa atinge 22,9% das alunas, mais do que o triplo dos 6,8% registrados entre os alunos. A pesquisa também destaca a maior exposição das meninas a situações de violência e pressão social:

  • Elas são as principais vítimas de bullying (30,1% contra 24,3% dos meninos)
  • Apresentam níveis muito mais elevados de insatisfação corporal (36% contra 18%)
  • Experienciam maior sensação de abandono (33% contra 19%)

O relatório do IBGE aponta que o sentimento persistente de tristeza é um indicador clássico para a investigação de depressão, enquanto a preocupação excessiva com o cotidiano, relatada por 61% das meninas (contra 38,8% dos meninos), faz parte do diagnóstico para a ansiedade.

Fatores socioeconômicos e regionais influenciam

Em relação aos aspectos socioeconômicos, os dados mostram que alunos da rede pública estão em situação de maior vulnerabilidade. O percentual de estudantes que sentem que a vida não tem sentido é de 19,4% na rede pública, contra 13,9% na rede privada.

Regionalmente, o Norte do país apresenta a maior taxa para esse indicador (20,8%), enquanto as regiões Sul e Sudeste registram os menores índices. Apesar da gravidade dos números atuais, o estudo observou uma melhora em relação a 2019, antes da pandemia, quando os indicadores de saúde mental negativa eram ainda mais altos.

Urgência de ações diferenciadas por gênero

O relatório do IBGE aponta como urgente a criação de iniciativas que contemplem as diferenças entre os sexos para garantir o bem-estar e a capacidade de contribuição das jovens para a sociedade. A pesquisa destaca a necessidade de políticas públicas específicas que levem em conta as particularidades das adolescentes brasileiras.

Para quem precisa de apoio, serviços como o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do SUS estão disponíveis para oferecer acolhimento e atendimento especializado.

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