Gêmeos nascem empelicados em bolsas amnióticas diferentes no Espírito Santo
Gêmeos nascem empelicados em bolsas diferentes no ES

Gêmeos nascem empelicados em bolsas amnióticas diferentes no Espírito Santo

Os gêmeos Thales e Helena nasceram empelicados e emocionaram profundamente os pais e toda a equipe médica durante o parto, realizado na noite de terça-feira (10), em Vitória, capital do Espírito Santo. A condição em que o recém-nascido vem ao mundo ainda completamente envolto pela bolsa amniótica é considerada extremamente rara no campo da obstetrícia, conforme destacam especialistas da área.

Pai de primeira viagem mal consegue gravar o momento histórico

Alex Sandro Marim, técnico em mecânica de 38 anos e pai de primeira viagem, quase não conseguiu filmar o vídeo dentro da sala de cirurgia, tamanha foi a surpresa e a emoção ao ver o primeiro bebê. "Eu não aguento não. Filma pra mim porque eu não aguento isso não, gente! Está acontecendo isso mesmo? É minha primeira vez. Chora de saúde", declarou Alex, visivelmente comovido, no registro que captura o parto dos filhos.

Thales foi o primeiro a vir ao mundo, pesando 1.950 gramas e medindo 43 centímetros. Helena chegou logo em seguida, com 1.630 gramas e 41 centímetros de comprimento. Ambos os bebês apresentaram-se saudáveis, apesar do parto prematuro.

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Fenômeno raro e inofensivo na obstetrícia

O ginecologista, obstetra e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro, Gabriel Monteiro, explicou que o parto empelicado constitui um fenômeno belíssimo, porém muito incomum na prática obstétrica. Estatisticamente, essa condição ocorre em aproximadamente um a cada 80 mil nascimentos em todo o mundo.

Apesar do susto inicial dos pais e da equipe médica, o procedimento é totalmente inofensivo e pode acontecer tanto em partos normais quanto em cesáreas. A bolsa amniótica é rompida pelo médico logo após o nascimento, liberando o bebê para respirar e iniciar sua vida fora do útero.

Hiperovulação explica gravidez dos gêmeos bivitelinos

A mãe dos gêmeos, Caroline Guzzo, de 32 anos, trabalha como personal organizer e já é mãe de Pedro, de 15 anos, e Miguel, de 10. A família reside em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. A gravidez foi planejada, mas antes de Thales e Helena, Caroline sofreu uma perda gestacional que a marcou profundamente.

Dois meses após a perda, ela conseguiu engravidar naturalmente dos gêmeos. "Eles foram nossos presentes. Os médicos dizem que não foi genética, que eu tive uma hiperovulação após a perda. É como se eu engravidasse já estando grávida. Na primeira ultrassonografia, a gente pôde ver que a diferença entre os dois é de quatro dias. Eles cresceram em placentas e bolsas diferentes, a menina é caçula", contou Caroline, com bom humor.

Isso significa que a mãe engravidou primeiro de Thales e, quatro dias depois, devido a um novo processo de ovulação, concebeu Helena de forma espontânea. Para Carol, a chegada dos gêmeos tem um significado divino e especial. "Os meus filhos são bebês arco-íris, chegaram depois de uma perda gestacional. Então, Deus foi maravilhoso com a gente, cuidou de tudo o tempo todo. Por isso, a chegada foi tão rara e especial", afirmou.

Pai ainda não acredita no sonho realizado

Para Alex, a realidade ainda parece um sonho distante. A família inteira aguarda ansiosamente para conhecer Thales e Helena pessoalmente, já que os bebês representam os primeiros netos dos pais dele. "Eu assisti de perto, fiquei impressionado. Parecia um sonho, não parecia verdade. Só vi cena assim na televisão. Vitória em dose dupla, difícil controlar a emoção", relatou o pai, emocionado.

Atualmente, as crianças permanecem internadas na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) de um hospital particular na capital capixaba, onde estão ganhando peso e realizando outros procedimentos médicos dedicados a bebês prematuros.

Sorte em dobro e equipe médica especializada

Em entrevista, a obstetra Michelle Fiorot, que participou ativamente do parto dos irmãos, brincou ao dizer que o bebê que nasce empelicado tradicionalmente tem mais sorte na vida. "Antigamente, falava-se que o bebê que nascesse assim tinha mais sorte na vida", comentou a médica.

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Michelle explicou ainda que Thales e Helena são gêmeos bivitelinos, formados quando dois óvulos diferentes são fertilizados por dois espermatozoides distintos no mesmo ciclo menstrual. Eles não são idênticos, possuem materiais genéticos diferentes, podem ser de sexos iguais ou opostos, e cada um desenvolve sua própria placenta e bolsa amniótica.

"Esse tipo de parto é difícil de acontecer porque a bolsa rompe logo que tira o bebê. Com dois, então, é ainda mais raro. É perfeito para o neném porque ele mantém estéreo para todas as imunidades e até trocas fetais, placenta, doenças... Conseguir tirar um bebê assim, sem romper a bolsa, também oferece risco menor dessa criança contrair alguma coisa da mãe", detalhou a obstetra.

Michelle contou que a equipe conseguiu realizar a extração dos dois bebês da mesma maneira, mantendo-os dentro de suas bolsas amnióticas. A menina, Helena, ficou um pouco mais tempo envolvida pela bolsa, como é possível observar no vídeo do parto. "É uma emoção muito grande. Eu amo fazer. É tão bonito na hora que você vê o neném por dentro, e aí cada neném tem um jeito. Tem neném que tá com a mãozinha, a perninha ou boquinha mais aparente. Eu amo ver a chegada dessas crianças", confessou a médica, que já perdeu as contas dos partos realizados ao longo de suas duas décadas de carreira.

A obstetra lembrou que a equipe médica foi reforçada para receber os irmãos gêmeos. Na sala de cirurgia, estavam presentes dois pediatras, duas neonatologistas, um anestesista e uma equipe de enfermagem ampliada, garantindo toda a segurança e cuidado necessários para o parto duplamente especial.