Desde 2018, a vida de Vivianne Pereira, hoje com 41 anos, tem sido marcada por batalhas dentro de hospitais. Ao lado da filha Sophia, diagnosticada com leucemia aos 5 anos, ela enfrentou anos de tratamento. Em 2020, quando acreditava que o pior havia passado, recebeu um diagnóstico que mudaria novamente sua rotina: câncer de mama.
A luta de Sophia contra a leucemia
Sophia Pereira foi diagnosticada com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) em 2018, aos 5 anos. Mãe e filha deixaram Manhuaçu, onde moram, para iniciar o tratamento na Fundação Cristiano Varella, em Muriaé, referência na região. A LLA é um tipo de câncer que afeta rapidamente a medula óssea e o sangue, sendo a forma mais comum de câncer infantil.
“Quando ela adoeceu, meu mundo caiu”, relembra Vivianne. Os primeiros oito meses foram passados dentro do hospital, entre sessões de quimioterapia e interrupções no tratamento. Os médicos decidiram que Sophia precisaria de um transplante de medula óssea, mas uma reação grave à quimioterapia fez com que o procedimento fosse suspenso. “Entreguei minha filha nas mãos de Deus. Mesmo nos momentos mais difíceis, acreditava que não iria perdê-la”, conta a mãe, emocionada.
A última internação da filha e o diagnóstico da mãe
Após quase dois anos de internações, exames mostraram que Sophia estava curada. A família acreditava que a fase mais difícil havia ficado para trás, mas a menina voltou a ser internada devido a uma infecção urinária. Próximo da alta, Vivianne começou a passar mal dentro do hospital. “Estava com muita dor de garganta e sabia que havia alguma coisa errada”, lembra. Em 2020, veio o diagnóstico de câncer de mama.
“Pensava em quem iria acompanhar minha filha. O médico tinha dito que ela continuaria o tratamento em casa. Tenho meu marido, mas ela só fica comigo”, desabafa Vivianne.
O tratamento da mãe e o apoio da filha
Durante o tratamento de Vivianne, foi Sophia quem a ajudou a enfrentar uma das fases mais difíceis: a queda de cabelo. “Ela falava: ‘Mãe, raspa sua cabeça, vai ficar linda’. ‘Mãe, eu fui curada, então a senhora também vai ser’. Eu me apegava a tudo o que ela dizia”, conta Vivianne. Após quimioterapia e radioterapia, em 2022, ela também recebeu a notícia de que estava curada.
‘Hoje é felicidade’, diz Sophia
O hospital, que por anos fez parte da rotina da família, agora ficou para trás. Sophia está na escola, e mãe e filha sonham com viagens e momentos juntas com o pai e o irmão, longe das internações. Em fevereiro deste ano, oito anos após o diagnóstico, a menina tocou o sino da cura, símbolo da conclusão do tratamento contra o câncer. Aos 13 anos, ela fala da mãe com admiração: “Fiquei muito mais apegada à minha mãe. Ela passou muito tempo comigo e nunca me deixou sozinha. Ficava até na sala de cirurgia. Quando descobriu o câncer, eu falei que ia passar, e passou. Hoje é felicidade”.
O desejo de Sophia neste Dia das Mães é simples: “Desejo que ela toque o sino logo e que isso nunca mais aconteça com a gente”.



