Lula passa por retirada de queratose e infiltração no punho em São Paulo
Lula faz retirada de queratose e infiltração no punho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será submetido a dois procedimentos médicos nesta sexta-feira (24), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. As intervenções incluem a retirada de uma queratose no couro cabeludo e uma infiltração no punho direito para tratar uma tendinite no polegar. De acordo com a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), ambos os procedimentos são considerados simples, não exigem repouso e não impactarão a agenda do presidente.

O que é a queratose?

A queratose é uma alteração na pele caracterizada pelo espessamento da camada mais superficial, resultando em uma aparência áspera ou descamativa. A dermatologista Maria Augusta Maciel, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que o termo é amplo e descreve distúrbios no processo de queratinização, ou seja, na produção e organização da queratina, a proteína da camada mais superficial da pele. Clinicamente, manifesta-se como áreas ásperas, espessas ou descamativas, muitas vezes descritas como casquinhas ou regiões mais grossas da pele.

Existem vários tipos de queratose, sendo os mais comuns a actínica e a seborreica:

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  • Actínica: Relacionada à exposição solar crônica, ocorre em áreas fotoexpostas como rosto, orelhas e couro cabeludo. É considerada uma lesão pré-maligna, pois pode evoluir para câncer de pele, como carcinoma escamoso. Acomete principalmente adultos maduros, idosos e pessoas de pele clara.
  • Seborreica: Benigna e comum com o envelhecimento, surge no tronco com aspecto elevado e escuro. Não tem relação direta com o sol nem risco de transformação maligna.
  • Pilar: Menos frequente, manifesta-se como pequenas bolinhas ásperas nos braços e coxas.

Maciel destaca a importância de identificar o tipo de queratose, pois o significado clínico e a conduta podem ser completamente diferentes. A actínica, por exemplo, exige tratamento e acompanhamento para evitar evolução para carcinoma espinocelular. Em pessoas de pele clara com histórico de exposição solar crônica, a prevalência da actínica é alta. O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular são fundamentais.

Cauterização: procedimento rápido e simples

Tanto lesões benignas quanto malignas podem ser cauterizadas. A benigna (seborreica) é tratada por razões estéticas ou incômodo, enquanto a actínica precisa ser cauterizada por ser pré-maligna, explica Carlos Barcaui, presidente da SBD. A cauterização é um procedimento simples realizado em consultório, de diversas formas:

  • Eletrocauterização: com bisturi elétrico e anestesia local (lidocaína).
  • Cauterização química: uso de ácido na lesão, que forma uma casca e cai sozinho.
  • Criocirurgia: congelamento com nitrogênio líquido, formando uma bolha que remove o epitélio.

Além da cauterização, o tratamento pode incluir cremes, laser ou cirurgia convencional. O procedimento dura poucos minutos, não exige internação e permite retorno às atividades no mesmo dia. No couro cabeludo, é comum para lesões benignas ou pré-malignas.

O que é tendinite?

A tendinite é a inflamação de um tendão, estrutura fibrosa que conecta músculo ao osso e transmite força para os movimentos. Os tendões, presentes em todas as articulações, podem inflamar devido a esforço excessivo ou repetitivo. A condição é comum em profissões com gestos repetitivos, como digitadores, músicos e trabalhadores braçais, além de atletas. Os sintomas incluem dor localizada, sensibilidade ao toque e dificuldade de movimentar a articulação. Em casos graves, a dor persiste em repouso e limita atividades cotidianas. No punho e polegar, a dor surge na base do dedo e se intensifica ao segurar objetos ou girar o pulso.

O diagnóstico é clínico, baseado em histórico e exame físico. Exames de imagem, como ultrassom ou ressonância magnética, podem avaliar o grau de comprometimento. O tratamento inicial inclui repouso, anti-inflamatórios e fisioterapia. Quando não há melhora, a infiltração com corticosteroide na região inflamada é eficaz para aliviar a dor e retomar os movimentos. Em casos raros, a cirurgia é necessária.

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Frequência de consultas ao dermatologista

A presidente da SBD do Rio de Janeiro, Regina Schechtman, recomenda consultas anuais para quem não tem histórico de câncer de pele. Para quem já teve a doença ou tem casos na família, a frequência deve ser de pelo menos duas vezes ao ano. Essa recomendação também vale para pessoas de pele muito clara e homens calvos, que têm maior exposição solar. Sinais como espessamento, descamação, vermelhidão, vasinhos, sangramento ou coceira exigem consulta imediata.