A servidora pública Nilvana Aurieme, de 51 anos, moradora de Campo Grande (MS), teve a vida transformada há um ano ao ser diagnosticada com Leucemia Mieloide Aguda, um tipo agressivo e resistente à quimioterapia. Internada às pressas, descobriu que a única chance de sobrevivência era um transplante de medula óssea. A esperança veio de onde ela menos esperava: do próprio filho, Matheus Viana, de 27 anos.
O diagnóstico e a luta pela vida
A leucemia é um câncer que se origina na medula óssea, tecido gelatinoso responsável pela produção das células sanguíneas. Na leucemia mieloide aguda, as células doentes se multiplicam desordenadamente e substituem as saudáveis. Nilvana ficou 47 dias internada para iniciar o tratamento e precisou se afastar do trabalho como funcionária pública pela primeira vez em mais de duas décadas. "Era a única chance de cura que eu tinha. No processo do transplante também foi bem difícil. Muitas vezes achei que não ia resistir", relembra.
A compatibilidade do filho
Inicialmente, os médicos buscaram um doador totalmente compatível entre os irmãos de Nilvana, mas nenhum era compatível. A alternativa foi um transplante haploidêntico, em que pais e filhos podem ser parcialmente compatíveis. Matheus não hesitou em doar a medula. "Ela sempre fez tudo por mim. Poder retribuir dessa forma foi a coisa mais importante que já fiz na vida", afirma. Em outubro de 2025, mãe e filho viajaram para o Rio de Janeiro, onde o transplante foi realizado no Hospital Casa Premium, sob acompanhamento do hematologista Luis Fernando Bouzas.
Recuperação e novo propósito
Mais de 150 dias após o transplante, Nilvana apresenta boa evolução clínica e se prepara para um Dia das Mães especial. "Quando soube que meu filho poderia ser meu doador, senti que estava recebendo uma nova chance de viver. É um amor que não cabe em palavras", conta emocionada. A história reforça a importância da doação de medula óssea. Quando não há compatibilidade familiar, pacientes dependem do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).
Tratamentos para leucemia
O tratamento da leucemia varia conforme o tipo e as condições do paciente. As opções incluem:
- Quimioterapia padrão: base do tratamento, usa medicamentos para destruir células doentes.
- Terapias-alvo: atuam em mutações genéticas específicas, com menos efeitos colaterais.
- Imunoterapia e células CAR-T e CAR-NK: estimulam o sistema imunológico a combater o câncer.
- Inibidores de tirosina quinase (ITKs): usados principalmente na leucemia mieloide crônica.
- Transplante de medula óssea: indicado para alguns pacientes, substitui a medula doente por células saudáveis.
Nilvana conclui: "Se não fosse a possibilidade do transplante com o meu filho, eu não sei se estaria aqui hoje. Quem puder, seja doador. Você pode salvar uma vida."



