Ácido Hialurônico: A Febre Estética que Esconde Riscos Graves e Excesso de Aplicações
O ácido hialurônico se tornou uma verdadeira febre global no universo da dermatologia e cosmética, prometendo rejuvenescimento e preenchimento em diversas regiões do corpo. No entanto, seu uso indiscriminado e a atuação de profissionais sem qualificação adequada estão expondo pacientes a riscos sérios, que vão desde resultados artificiais até complicações graves de saúde.
Popularização e Demanda Crescente
Propagado por influenciadoras e anônimas nas redes sociais, o ácido hialurônico conquistou um lugar cativo entre os médicos da área, mas desperta preocupação devido a indicações e aplicações equivocadas em todo o país. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, mais de 5 milhões de procedimentos são realizados anualmente em nível global, com um aumento na procura de cerca de 30% ao ano. Essa substância, presente naturalmente no organismo, é altamente versátil em sua versão sintética, sendo usada para suavizar linhas de expressão, preencher lábios e olheiras, e até em cremes antienvelhecimento.
Riscos e Complicações do Uso Indiscriminado
O maior acesso aos produtos e injeções tem popularizado o ácido hialurônico, mas também levou a um uso potencialmente perigoso. Aplicações em doses e lugares inadequados, realizadas por profissionais sem credenciais, resultam em casos frequentes de lábios e bochechas com aspecto artificial e desproporcional. A dermatologista Alessandra Romiti, do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), alerta que esses problemas estão muitas vezes ligados à escolha ou qualidade do preenchedor, erros durante a administração, e abuso nas intervenções, efeito amplificado pelas redes sociais.
Problemas de Saúde Pública e Aplicações Corporais
O cenário se agrava com a multiplicação de profissionais formados em cursos de fim de semana, produtos adulterados, e oferta de alternativas com efeitos permanentes, como o PMMA, proibido mas vendido como ácido hialurônico. A médica Lilia Guadanhim, da SBD, avalia que isso se tornou um problema de saúde pública. Além disso, o ácido tem sido procurado como "harmonizador glúteo", apesar de não haver produtos aprovados no país para uso corporal. Doses que partem de 30 mililitros por lado nos glúteos, comparadas a poucos mililitros no rosto, carecem de pesquisas robustas sobre segurança a longo prazo.
Como Usar com Segurança
Para aproveitar os benefícios do ácido hialurônico e evitar complicações como necrose da pele e cegueira, é essencial passar por uma consulta médica qualificada. A ética e o conhecimento técnico do profissional fazem toda a diferença, pois muitos pacientes acreditam erroneamente que precisam repetir o procedimento anualmente. Guadanhim destaca que o ácido não é a única opção disponível, e que planejamento e bom senso são fundamentais para conjugar os aspectos mais valiosos e estudados dessa substância tão popular na estética.
