O cacique Raoni Metuktire, de 93 anos, apresentou melhora progressiva do quadro clínico nas últimas 24 horas e permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, Mato Grosso. A informação consta no boletim médico divulgado nesta segunda-feira, dia 18.
De acordo com o hospital, o líder indígena está sem febre e teve melhora na aceitação da dieta. O comunicado ressalta que o quadro clínico segue estável, sem intercorrências no período. “O paciente apresentou melhora progressiva do quadro geral, encontrando-se afebril e com melhor aceitação da dieta. Permanece sob monitoramento contínuo e acompanhamento da equipe multidisciplinar”, diz a nota oficial.
Internação recorrente
Raoni foi internado novamente na quinta-feira, dia 14, após um novo mal-estar clínico. No início de maio, ele já havia passado cinco dias na mesma unidade hospitalar para tratar dores abdominais relacionadas a uma hérnia. O cacique foi diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica e problemas cardíacos, conforme informaram os médicos.
Suspensão da agenda pública
No último dia 7, o Instituto Raoni comunicou a suspensão da agenda pública do cacique por questões de saúde. Em uma publicação nas redes sociais, a entidade pediu “sensibilidade” para que ele pudesse “receber os cuidados necessários e se recuperar com tranquilidade”.
Trajetória de luta
Reconhecido internacionalmente pela defesa da Amazônia e dos povos indígenas, Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970 ao se posicionar contra a construção da rodovia Transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985). Nascido na aldeia Kapot, em Mato Grosso, o líder indígena afirmou que só teve contato com um homem branco por volta dos 20 anos.
Em 1989, após conhecer o músico britânico Sting na Amazônia, iniciou uma série de viagens internacionais e se consolidou como uma das vozes mais conhecidas em defesa da floresta amazônica. Sua trajetória é marcada por uma luta incansável pelos direitos indígenas e pela preservação ambiental.



