Mãe de adolescente autista nível 3 compartilha rotina exaustiva e isolamento social em João Pessoa
No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado nesta quinta-feira (2), Josilene Barbosa, residente de João Pessoa, fez um emocionante desabafo sobre a realidade de cuidar sozinha de seu filho de 16 anos, diagnosticado com autismo nível 3 de suporte. A mãe expressou sentimentos de exaustão e solidão, afirmando categoricamente: "Eu não tenho vida, eu apenas existo. A realidade é essa".
Desafios no tratamento e agressividade do adolescente
Segundo Josilene, a agressividade e a força física considerável do adolescente criam barreiras significativas para o acesso a terapias adequadas. O comportamento impede que ele seja atendido por terapeutas do sexo feminino, limitando drasticamente as opções de cuidado profissional disponíveis na região.
Além disso, a logística para o tratamento representa outro obstáculo monumental. A mãe explica que uma única sessão de terapia semanal é insuficiente para as necessidades do filho, mas mesmo essa frequência mínima torna-se impraticável devido às dificuldades de transporte. "Eu não tenho como levar e também não tem quem venha me ajudar a tirar de dentro do carro", relata Josilene, destacando a carência de suporte prático.
Abandono paterno e sobrecarga financeira
A situação é agravada pelo abandono paterno. Josilene cuida do filho completamente sozinha, enquanto o pai do adolescente se limita a pagar uma pensão alimentícia considerada insuficiente pela mãe. O valor cobre apenas as despesas com medicação, deixando outras necessidades básicas desassistidas.
O distanciamento vai além do financeiro: Josilene foi bloqueada pelo pai do filho em todas as redes sociais, cortando qualquer possibilidade de comunicação ou cooperação parental. "O pai abandonou, não quer contato. Apenas dá uma pensão alimentícia que é muito pouca", desabafa a mãe, evidenciando o isolamento completo que enfrenta.
Sonho por um ambiente adaptado e maior inclusão
Diante dessa realidade desafiante, o principal desejo de Josilene é conseguir criar um espaço doméstico mais adequado às necessidades específicas do filho. Ela possui uma área disponível em casa que poderia ser adaptada, mas falta recursos e apoio para realizar as modificações necessárias.
Este relato comovente surge justamente no Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, data que busca ampliar a compreensão sobre o transtorno e promover a inclusão das pessoas autistas na sociedade. A história de Josilene ilustra vividamente as dificuldades enfrentadas por famílias que cuidam de pessoas com autismo nível 3, especialmente quando não recebem o suporte adequado dos sistemas de saúde, da comunidade e até mesmo da família extensa.
A situação expõe a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes e redes de apoio fortalecidas para famílias em condições similares, garantindo que cuidadores como Josilene não precisem enfrentar sozinhos desafios tão complexos e desgastantes.



