O ex-presidente Michel Temer defendeu, nesta terça-feira, 12, a redução da tensão política em torno do Supremo Tribunal Federal (STF) e a aposta no diálogo entre os Poderes. Durante o Fórum VEJA Brazil Insights, em Nova York, Temer afirmou que a Corte deve decidir rapidamente sobre questões constitucionais, mas alertou que transformar cada discussão em confronto público aprofunda as divisões no país.
Críticas ao 'barulho' em torno do STF
“Não devemos fazer muito barulho em torno disso, porque cada vez que esse tema é agitado, cria-se mais divisão”, declarou. Para o ex-presidente, o protagonismo do STF é consequência direta da Constituição de 1988, que ampliou direitos e levou conflitos políticos e sociais à análise da Corte. “A função do Supremo é guardar a Constituição. Como tudo virou matéria constitucional, tudo acaba chegando ao Supremo”, explicou.
Fortalecimento do Congresso e diálogo
Temer também defendeu o fortalecimento do Congresso Nacional, afirmando que um Legislativo mais independente não deve ser visto como ameaça. “Quem governa o país é a conjunção entre Executivo e Legislativo”, disse. Ele criticou medidas do governo federal sem articulação prévia, citando o caso do IOF como exemplo de conflito por falta de diálogo entre governo, Congresso e Judiciário.
Para Temer, reformas estruturais só avançam com negociação política e consenso. “Diálogo é o que o presidente terá que ter”, concluiu, defendendo menos polarização e mais cooperação entre os Poderes.



