Beth Carvalho, que nasceu em 5 de maio de 1946, completaria 80 anos nesta terça-feira, 5 de maio. A cantora carioca, falecida em 30 de abril de 2019, há sete anos, permanece como uma sólida referência feminina no universo do samba do Rio de Janeiro.
Trajetória no samba
Desde o início dos anos 1970, década em que abraçou definitivamente o gênero após um início titubeante na era dos festivais, Elizabeth Santos Leal de Carvalho se tornou nome respeitado nas rodas cariocas, nas quadras das escolas de samba e em qualquer meio onde o samba é celebrado. O respeito só cresceu com o tempo.
Diferentemente de Alcione e Clara Nunes, que foram além do samba em suas discografias, Beth Carvalho permaneceu extremamente fiel ao gênero, ao qual deu expressiva contribuição. Ela foi o veículo para a propagação da nova forma de tocar samba, inventada pela geração Fundo de Quintal, com a introdução de instrumentos como o banjo e o tantã nas rodas. Essa estética foi revelada no álbum De pé no chão (1978), título revolucionário na discografia do samba.
Discografia coerente
Em uma discografia que se manteve coerente e sem concessões até o último álbum, um registro ao vivo de show editado em 2014, Beth Carvalho soube harmonizar o samba dessa nova geração – formada por bambas como Almir Guineto, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, este revelado por ela no álbum Suor no rosto (1983) – com as tradições dos bambas da Velha Guarda. Ainda que fosse uma apaixonada mangueirense, Beth foi a cantora que mais deu voz em disco às composições dos veteranos da Portela. Também contribuiu para a popularização das obras de Cartola e Nelson Cavaquinho.
Anos 1990 e legado
A partir dos anos 1990, década em que o mercado fonográfico foi regido pela massificação de gêneros como a axé music e o pagode romântico, Beth Carvalho nunca mais teve vendagens tão expressivas nem emplacou tantos sucessos como na fase da RCA, gravadora na qual lançou álbuns antológicos como No pagode (1979), Sentimento brasileiro (1980), Na fonte (1981), Coração feliz (1984) e Beth (1986). Contudo, seguindo a maré, Beth seguiu firme, escorada no prestígio inabalável, cantando as novidades possíveis em discos ao vivo e projetos temáticos, tendências do mercado a partir dos anos 1990.
O legado de Beth Carvalho já está dimensionado em livros e filmes. Hoje, nos 80 anos da Madrinha do samba, o cantor Leo Russo lança o single Obrigado, Beth Carvalho, samba inédito composto em 2013, após a cantora participar do primeiro álbum de Russo. O sentimento de gratidão parece ser o mesmo de toda a comunidade do samba.
Voz perene
Beth Carvalho cantou samba com verdade, com alma e com real admiração pelos frutos daqueles nobres quintais cariocas. Tinha amor genuíno pelo gênero. É por isso que continua sendo uma voz perene do samba. Hoje, quando faria 80 anos, ou daqui a 20 anos, quando o Brasil festejará o centenário da artista, Beth Carvalho é e será referência inabalável quando o assunto é samba.



