Adolescente autista de Ribeirão Preto supera desafios e brilha em matemática e idiomas
Adolescente autista supera desafios e brilha em matemática e idiomas

Adolescente autista de Ribeirão Preto transforma vida familiar com conquistas acadêmicas

Aos 13 anos, Maria Cecília Nasser carrega um currículo impressionante: fala fluentemente inglês, estuda japonês de forma autodidata e conquistou medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP) no ano passado. Por trás dessas realizações, está uma trajetória marcada por lutas, adaptações e vitórias diárias, pois a adolescente está no Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Família se reinventa sem apoio governamental

Sem rede de apoio governamental ou cobertura de planos de saúde, os pais Maria Antonieta Coelho e Jorge Nasser, residentes em Ribeirão Preto (SP), precisaram transformar a própria casa em um ambiente terapêutico contínuo. "Todo ser humano que se dispõe a buscar algo, a maior limitação que ele pode ter é ele mesmo. Se ele vence essa limitação, nada é obstáculo", afirma Jorge Nasser, pai de Maria Cecília.

As terapias constantes e o ambiente favorável ao longo dos anos permitiram que Maria Cecília migrasse do nível de suporte 3 (o mais alto) para o 1 (o mais baixo) no espectro autista. Ela conquistou autonomia, ajuda nas tarefas domésticas e adora cozinhar, sempre com supervisão dos pais.

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Diagnóstico precoce e investimento familiar

Os primeiros sinais apareceram quando Maria Cecília tinha poucos meses de vida. Aos 1 ano e meio, a escola enviou um relatório sobre comportamentos atípicos, e a família descobriu a palavra autismo através de pesquisas na internet. Até os 5 anos, a menina não falava.

A família embarcou em uma jornada de terapias custeadas integralmente do próprio bolso, totalizando um investimento estimado em R$ 3 milhões ao longo de oito anos, com carga de 20 horas semanais. Tias e avó materna, que foram educadoras e reitoras, usaram economias de vida inteira para ajudar nos custos.

Transformação familiar e ativismo

A experiência com a filha transformou completamente a vida de Maria Antonieta e Jorge. De uma família sem apoio, eles se tornaram a rede que tanto precisaram. Hoje, o casal atua em conselhos municipais e lidera iniciativas no Rotary Club voltadas para Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI).

Maria Antonieta fez cursos de formação, estudou análise do comportamento (ABA) e hoje dá palestras para apoiar outras famílias. "A gente precisa cuidar do cuidador, porque ele é o alicerce da criança com autismo. O pai, a mãe, os avós precisam ter apoio psicológico também", destaca a mãe.

Desafios educacionais e conquistas

A busca por uma escola que acolhesse Maria Cecília revelou a falta de preparo do sistema educacional brasileiro. A família enfrentou cinco "convites de retirada" de escolas particulares antes de encontrar acolhimento em uma escola municipal de Ribeirão Preto, onde a adolescente estuda no 7º ano com acompanhamento pedagógico.

Além da medalha de prata na OBMEP, Maria Cecília desenvolveu hiperfoco na cultura oriental. Apaixonada por mangás, ela aprendeu a desenhar sozinha e utiliza o inglês como base para estudar japonês, já que não encontrou aplicativos de tradução direta do português.

Mensagem de esperança e superação

Para os pais, a jornada da filha é a prova concreta de que amor e estímulo superam barreiras. "Esqueçam os rótulos. São seus filhos, eles são seres humanos que precisam tanto quanto os outros de amor, de carinho, de acolhimento. Não fique esperando o diagnóstico para agir. O rótulo é o menos importante", aconselha Maria Antonieta.

A neuropediatra Gabriela Amoedo Cavassani ressalta que a intensidade da terapia precoce fez toda a diferença no desenvolvimento de Maria Cecília, destacando a importância de utilizar hiperfocos em favor da aprendizagem das crianças no espectro autista.

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