A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estabeleceu um novo Centro de Diagnóstico Molecular em colaboração com o Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa visa acelerar a detecção do câncer, utilizando tecnologias de ponta para análises genéticas detalhadas.
Robô analisa amostras por até três dias
Um dos equipamentos mais inovadores é um robô capaz de examinar uma mesma amostra de tecido humano por até três dias consecutivos, gerando uma vasta quantidade de dados. Esse dispositivo pode avaliar até cinco mil genes em biópsias de mama, cólon, intestino ou tireoide, identificando as alterações genéticas responsáveis pelo desenvolvimento do câncer.
Este é o segundo equipamento desse tipo no estado de São Paulo e foi instalado no Hemocentro da Unifesp, que integra o Hospital São Paulo. Além do robô, outros equipamentos auxiliares de última geração foram incorporados, permitindo diagnósticos mais precoces e precisos.
Importância do diagnóstico rápido
A coordenadora do Centro de Diagnóstico Molecular, Soraya Smaili, enfatiza a relevância da tecnologia para o tratamento dos pacientes. “Um diagnóstico rápido e preciso é fundamental para um atendimento de qualidade e eficaz, visando a cura”, afirma.
Os equipamentos modernos atuam em conjunto com tecnologias tradicionais, como o microscópio, que realiza a análise morfológica do tecido. Com base nessa análise, os médicos costumam indicar tratamentos como a quimioterapia, que age de forma sistêmica e pode causar diversos efeitos colaterais. As novas tecnologias representam um avanço significativo nesse cenário.
PCR em tempo real e PCR digital
Um dos métodos empregados é o PCR em tempo real, que analisa moléculas em vez de tecidos, permitindo identificar padrões de reprodução atípica. Outro equipamento, considerado o principal para diagnósticos de rotina, é o PCR digital, capaz de detectar células tumorais iniciais a partir de uma simples amostra de sangue.
O novo laboratório do Centro Avançado de Diagnóstico Molecular da Unifesp é uma plataforma avaliada em R$ 10 milhões. A maior parte dos recursos foi fornecida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto é fruto do trabalho de diversos técnicos e cientistas.
Atendimento já iniciado
Segundo Soraya Smaili, o atendimento já começou e deve ser ampliado. “Estamos atendendo o Hospital São Paulo e, em breve, nosso objetivo é atender mais estruturas. Não é um atendimento direto à população, mas sim aos serviços de saúde da nossa cidade e estado”, explica.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar mais de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Desses, cerca de 203 mil devem ocorrer em São Paulo. Entre os homens, os tipos mais comuns no estado são câncer de próstata (30,3%), cólon e reto (11,9%) e pulmão (8,2%). Entre as mulheres, as maiores incidências são de câncer de mama (30%), cólon e reto (12,4%) e tireoide (6%).
Tratamentos mais específicos
A patologista Angela Waitzberg, chefe do Departamento de Patologia da Unifesp, explica que os novos equipamentos ajudam a indicar tratamentos mais específicos, já disponíveis no SUS. “Quando conseguimos identificar as alterações genéticas em cada tipo de tumor, temos uma droga-alvo que age exatamente naquela alteração. Esse tratamento é de precisão, pois a droga será efetiva naquele paciente, não necessariamente em outros”, conclui.



