Subvariante 'Cicada' da Covid-19: 75 mutações e circulação em 23 países acendem alerta
Uma nova subvariante do vírus Sars-CoV-2, causador da covid-19, está sendo rigorosamente monitorada por sistemas internacionais de vigilância genômica após se espalhar por 23 países. Batizada como "Cicada" (cigarra, em inglês), esta sublinhagem da variante ômicron apresenta uma característica marcante: a presença de 75 mutações genéticas, um fator que potencialmente favorece o escape imunológico.
O escape imunológico refere-se à capacidade do patógeno de driblar a proteção oferecida pelas vacinas ou por infecções anteriores, aumentando o risco de novas infecções. Apesar desta característica preocupante, autoridades de saúde destacam que a BA.3.2 – como é tecnicamente denominada – ainda não demonstra sinais de ser mais transmissível ou de desencadear quadros clínicos mais graves da doença.
Monitoramento internacional e origem
Em dezembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a subvariante como uma "variante em monitoramento". Esta categoria inclui linhagens que exigem acompanhamento contínuo, mas que não se enquadram como variantes de preocupação, aquelas associadas a surtos significativos ou maior severidade.
No mês passado, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) divulgaram um perfil detalhado da "Cicada", revelando que sua primeira detecção ocorreu na África do Sul. O documento destaca especificamente as mais de 70 mutações na proteína spike, estrutura crucial que o vírus utiliza para se ligar às células humanas e iniciar a infecção.
"O vírus da covid-19 sofre mutações constantemente, gerando novas variantes. Nesta, foram identificadas 75 alterações genéticas nos genes da proteína spike. Contudo, é fundamental entender que o número de mutações não se correlaciona diretamente com manifestações de maior gravidade", explica Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Risco de aumento de casos e importância da vacinação
Apesar de não ser considerada intrinsecamente mais transmissível, a capacidade da "Cicada" de escapar parcialmente da imunidade existente pode levar a ondas de novos casos. "Ela encontra populações sem experiência prévia com esta sublinhagem, mas nada indica características especiais de transmissibilidade ou agressividade clínica", complementa Bravo.
A subvariante ainda não foi detectada circulando no território brasileiro, mas a experiência com linhagens anteriores indica que sua chegada é uma possibilidade real. Diante deste cenário, especialistas reforçam a importância crítica de manter os esquemas vacinais atualizados.
"Temos um vírus extremamente infeccioso. Nossas vacinas, embora não sejam esterilizantes, são altamente eficazes na prevenção de doenças graves e hospitalizações. Manter altas coberturas vacinais, especialmente entre as populações mais vulneráveis, é a estratégia fundamental", afirma a médica infectologista.
Bravo ressalta que as vacinas atualmente disponíveis conferem proteção significativa, pois a "Cicada" deriva da mesma base genética da ômicron anterior. A imunização continua sendo a principal ferramenta para proteger os grupos prioritários.
Quem deve se vacinar contra a covid-19 no Brasil
A vacinação contra a covid-19 é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para os seguintes grupos:
- Crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias: Três doses da vacina Comirnaty (aos 6, 7 e 9 meses) ou duas doses da Spikevax (aos 6 e 7 meses).
- Gestantes: Uma dose a cada gravidez.
- Pessoas a partir de 60 anos: Duas doses com intervalo de seis meses.
- Pessoas imunocomprometidas: Duas doses com intervalo de seis meses.
A vigilância genômica contínua e a manutenção de altas taxas de vacinação permanecem como pilares essenciais para o controle da pandemia e para mitigar o impacto de novas variantes como a "Cicada".



