Pesquisadora desenvolve doença grave após aula de pilates e faz alerta urgente
Uma aula de pilates que parecia rotineira levou a pesquisadora e divulgadora científica Juliana Pegos para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após a sessão de exercícios, ela desenvolveu rabdomiólise, uma condição médica séria provocada pela destruição intensa das fibras musculares, que libera substâncias tóxicas na corrente sanguínea. Depois de cinco dias internada, a pesquisadora decidiu usar sua própria história para alertar a população sobre os sinais dessa doença, que pode ser grave e, em casos extremos, levar à morte.
Da dor insuportável ao diagnóstico surpreendente
Juliana pratica atividade física há dez anos e pilates especificamente há um ano. Na última semana, ela participou de uma aula com exercícios novos e, no dia seguinte, começou a sentir um incômodo que rapidamente se transformou em algo mais preocupante. "Na sequência, os braços ficaram inchados e eu procurei atendimento médico", relata a pesquisadora.
No primeiro atendimento, o médico suspeitou de uma inflamação comum. "Ele me receitou anti-inflamatório, colocou tipóia nos braços e me pediu para buscar um especialista porque achou que era alguma lesão no braço", conta Juliana. No entanto, a dor que ela sentia era insuportável, a ponto de impedi-la de mexer os braços e dificultar até tarefas básicas do cotidiano.
Quando procurou o especialista no dia seguinte, veio o choque: o médico alertou que poderia ser algo muito mais grave do que uma simples lesão muscular.
Entendendo a rabdomiólise: quando o exercício vira risco
Durante qualquer atividade física, nossos músculos passam por um processo natural de desgaste que gera microlesões nas fibras musculares. Essa "quebra" é uma resposta normal ao esforço físico e leva à ativação de enzimas, que depois são metabolizadas pelo fígado e pelos rins.
No caso de Juliana, a lesão foi tão grave que essas substâncias foram produzidas em excesso, sobrecarregando seu organismo. "Eu não esperava esse diagnóstico, ainda mais com pilates. Eu estava hidratada, alimentada, faço atividade física há muitos anos", revela a pesquisadora. "Então, usei o meu caso como alerta para que as pessoas estejam atentas ao corpo, porque a primeira coisa que a gente pensa ao sentir uma dor assim é que o treino foi bom, intenso. Mas, se eu esperasse mais, teria me colocado em risco."
Especialistas explicam os mecanismos da doença
Segundo Karina Hatano, médica do esporte do Espaço Einstein, a rabdomiólise acontece por uma lesão muscular aguda significativa. "Quando treinamos muito intensamente, o músculo quebra mais e consequentemente os rins têm que filtrar mais. Isso gera um quadro de insuficiência aguda, as toxinas aumentam e a pessoa pode precisar de diálise ou até chegar à morte", explica a especialista.
O médico Fabrício Buzatto, membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), esclarece que o quadro depende do condicionamento físico e da exposição a atividades intensas. "É multifatorial. Em geral, pode ocorrer com pessoas que nunca fizeram exercício, não estão com os exames em dia, que fazem exercícios exaustivos ou com uma sobrecarga muito grande da musculatura", detalha Buzatto.
Quem está em risco e como prevenir
Os especialistas são unânimes em afirmar que a rabdomiólise não é um risco exclusivo para praticantes de pilates. Qualquer atividade intensa, sem o preparo, alimentação e hidratação adequadas, pode causar a doença. Isso inclui:
- Crossfit
- Treinamento funcional
- Aulas de spinning
- Futebol
- Musculação
- E sim, até pilates
"Todo treino que tem uma carga muito intensa, sem hidratação, o rim não dá conta de filtrar os metabólitos depois da lesão. Isso independe da atividade, é uma questão de intensidade", reforça Karina Hatano.
Para prevenir a doença, os médicos recomendam:
- Hidratação adequada antes e depois do exercício
- Não tentar atividades intensas se for uma pessoa sedentária
- Não forçar além do que o corpo pode suportar
- Buscar acompanhamento profissional
"Quando essas enzimas aumentam no sangue o importante é se manter bem hidratado para que o rim possa filtrar de forma eficaz, sem causar toxicidade", orienta Fabrício Buzatto.
Equilíbrio é a chave
Karina Hatano faz um alerta importante: todas essas ressalvas e recomendações não são motivo para evitar a prática de exercícios físicos. "Para não ter essa doença e tantas outras, a resposta é fazer atividade física. Um corpo com preparo, não vai passar por isso. O segredo é ter equilíbrio, começando com moderação, e com acompanhamento de um profissional e médico", conclui a médica.
Juliana Pegos, após sua recuperação, continua compartilhando sua experiência nas redes sociais, transformando um episódio traumático em uma oportunidade de educação e prevenção para milhares de pessoas.



