Poluição do Ar é Responsável por Mais de 13% das Mortes por Câncer de Pulmão nas Capitais
Poluição do Ar Causa 13% das Mortes por Câncer de Pulmão

Poluição Atmosférica Está Ligada a Mais de 13% das Mortes por Câncer de Pulmão nas Capitais Brasileiras

Uma pesquisa científica conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) estima que a poluição do ar está associada a mais de 13% das mortes por câncer de pulmão nas capitais brasileiras. O estudo, publicado na revista internacional Atmosphere, analisou dados de 2014 a 2023 e revelou um cenário alarmante para a saúde pública urbana no país.

Metodologia e Resultados Nacionais

Os pesquisadores utilizaram uma metodologia desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para estimar o número de mortes atribuíveis à poluição do ar. O foco principal foi o material particulado fino conhecido como PM2.5, um poluente microscópico capaz de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. De acordo com os resultados, 9.631 mortes por câncer de pulmão nas 27 capitais brasileiras, ao longo da última década, estão diretamente relacionadas à exposição prolongada ao PM2.5.

Isso representa uma proporção significativa de todos os óbitos pela doença nessas cidades. Os dados mostram que praticamente todas as capitais apresentaram níveis médios de PM2.5 acima do recomendado pela OMS. Especificamente, 97,41% das médias anuais ultrapassaram o limite indicado pelo organismo internacional. Além disso, quase um terço das medições também superou o padrão brasileiro vigente, indicando exposição crônica da população urbana a níveis considerados prejudiciais.

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Impacto em Maceió e Região Nordeste

Em Maceió, a pesquisa estima que 28 mortes por câncer de pulmão na última década estão associadas à poluição do ar. Esse número representa quase 3% de todos os óbitos pela doença na capital alagoana no período analisado. Embora o cenário nacional seja preocupante, os dados apontam que Maceió e outras capitais do Nordeste registraram taxas inferiores à média brasileira.

O professor Flavio Manoel Rodrigues da Silva Júnior, orientador do estudo e membro do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Ufal, destacou: "As taxas em Maceió e nas outras capitais do Nordeste são menores que a média nacional e refletem os menores níveis de poluição na região quando se compara às demais regiões do país." Ainda assim, os pesquisadores alertam que mesmo níveis considerados mais baixos podem impactar a saúde pública ao longo do tempo, exigindo atenção contínua.

Detalhes da Pesquisa e Autores

O estudo foi liderado por Albery Batista de Almeida Neto, estudante de Medicina da Ufal, que atuou como primeiro autor do trabalho. A pesquisa analisou dados de poluição atmosférica e mortalidade por câncer de pulmão entre 2014 e 2023, abrangendo todas as capitais brasileiras. A publicação na revista Atmosphere reforça a relevância internacional dos achados, que contribuem para o entendimento global dos efeitos da poluição do ar na saúde humana.

Os resultados servem como um alerta urgente para a necessidade de políticas públicas mais rigorosas no controle da qualidade do ar. A exposição crônica ao PM2.5, mesmo em níveis abaixo dos padrões atuais, pode levar a consequências graves a longo prazo, incluindo o aumento de casos de câncer de pulmão. A pesquisa da Ufal é um passo importante na conscientização sobre esse problema de saúde pública que afeta milhões de brasileiros.

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