Mpox retorna ao Brasil: especialista explica por que a vigilância em saúde deve ser contínua
Mpox volta ao Brasil: vigilância em saúde precisa ser permanente

Mpox retorna ao noticiário brasileiro com novos casos confirmados

A mpox, conhecida anteriormente como varíola dos macacos, voltou a ocupar espaço no noticiário de saúde brasileiro após a confirmação de novos casos no país. Embora tenha saído do centro das atenções midiáticas, a doença nunca deixou de circular globalmente, conforme explica o infectologista Alberto Chebabo. O recente caso registrado em Porto Alegre, somado a dois anteriores em São Paulo, reacende o alerta sobre a necessidade de vigilância permanente em saúde pública.

Circulação global e padrões de transmissão

Dados atualizados do CDC (Centers for Disease Control and Prevention) mostram que a mpox segue presente em diversas regiões do mundo, com circulação dos dois principais grupos do vírus (clados I e II). Desde o surto global iniciado em 2022, mais de uma centena de países já notificaram casos, incluindo nações onde a doença nunca havia sido registrada anteriormente, como França e Estados Unidos.

No Brasil, as autoridades locais confirmaram que a infecção em Porto Alegre ocorreu por contato direto com uma pessoa infectada fora do Rio Grande do Sul, padrão compatível com o que já se conhece sobre a transmissão humana da doença. Este episódio reforça que a vigilância em saúde pública não pode ser episódica, mas sim um esforço contínuo e sistemático.

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O que é a mpox e como se transmite?

A mpox é causada pelo Monkeypox virus (MPXV), um vírus da família dos ortopoxvírus - a mesma da varíola - e é classificada como uma infecção zoonótica pela Organização Mundial da Saúde. Embora o nome venha de uma identificação inicial em macacos de laboratório, o principal reservatório natural do vírus são roedores africanos, como esquilos e ratos.

A transmissão entre pessoas ocorre principalmente por:

  • Contato direto com lesões de pele
  • Fluidos corporais de pessoas infectadas
  • Crostas ou objetos contaminados
  • Proximidade física prolongada, incluindo contato sexual

Após um período de incubação que pode variar de alguns dias até três semanas, os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, mal-estar, aumento dos gânglios linfáticos e, principalmente, lesões na pele que evoluem em estágios e podem persistir por semanas.

Importância do diagnóstico precoce e vacinação

O registro recente no Brasil reforça que detectar cedo faz diferença. Isso depende de capacidade diagnóstica, articulação entre serviços de saúde e comunicação rápida com as autoridades sanitárias. Iniciativas como a Coalizão Abbott Pandemic buscam ampliar o acesso a testes e apoiar sistemas de saúde na identificação de ameaças infecciosas emergentes.

Atualmente, a principal vacina utilizada é a de terceira geração, conhecida como MVA-BN (ou Jynneos), desenvolvida a partir da tecnologia de vírus não replicante. Um estudo publicado no Journal of Infectious Diseases mostrou que os níveis de anticorpos neutralizantes contra o vírus da mpox tendem a diminuir ao longo do tempo, tanto após a infecção natural quanto após a vacinação.

Este achado reforça a necessidade de políticas de imunização baseadas em evidência, com definição clara de grupos prioritários e acompanhamento ao longo do tempo. A vacina continua importante para reduzir o risco de formas graves da doença, especialmente em populações vulneráveis como crianças, gestantes e pessoas imunossuprimidas.

Manejo clínico e lições para a saúde pública

Do ponto de vista do cuidado clínico, o manejo da mpox é, na maioria das vezes, de suporte: controle da dor, cuidado com as lesões de pele, prevenção de infecções secundárias e acompanhamento dos sintomas. Em situações específicas e em pacientes de maior risco, antivirais podem ser considerados conforme protocolos internacionais.

A lição fundamental é que vigilância em saúde precisa ser permanente. Isso envolve poder público, serviços de saúde, laboratórios, pesquisadores e iniciativas de cooperação internacional. Não para criar alarme, mas para garantir que casos sejam identificados, acompanhados e controlados antes que ganhem outra dimensão.

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"Por que ela voltou?" questiona o especialista. A resposta é clara: porque vírus não desaparecem quando saem do noticiário. E porque saúde pública não pode funcionar em modo intermitente - apenas quando a crise já está instalada. A mpox retorna ao noticiário não como falha específica, mas como reflexo de um mundo de alta mobilidade, com circulação constante de pessoas e vírus que se adaptam a novos contextos.