Mãe de gêmeas unidas pela cabeça aguarda com ansiedade o momento de poder carregar as filhas no colo
Passear tranquilamente e poder carregar as filhas no colo são os primeiros sonhos que Claudilene Aparecida dos Santos imagina realizar após as gêmeas Heloísa e Helena, que nasceram unidas pela cabeça, completarem todas as cirurgias de separação no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Procedimento complexo em andamento
As crianças de 2 anos passaram no último sábado (28) pela terceira das cinco etapas do procedimento, considerado de altíssima complexidade e planejado há dois anos por uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde e especialistas.
"Acho que não vou nem parar dentro de casa. Acho que eu vou ficar o tempo todo com elas na rua passeando com elas e pegando elas no colo, porque a gente não pôde, não consegue pegar no colo", revela a mãe emocionada.
Desafios diários e esperança renovada
Nascidas em São José dos Campos (SP), as gêmeas siamesas são acompanhadas desde 2024 pelo HC de Ribeirão Preto, cidade para onde a família se mudou exclusivamente para os procedimentos médicos. A condição das meninas desde o nascimento impõe dificuldades significativas para atividades corriqueiras.
"Não consegue. Sempre a gente pega de dois. Mas a hora que desgrudar vai dar para pegar de uma em uma, se Deus quiser, vai dar tudo certo", afirma Claudilene com esperança.
Detalhes do procedimento cirúrgico
O procedimento, planejado desde 2024 e consolidado pelos médicos da USP de Ribeirão Preto, é composto por cinco fases espaçadas por meses:
- Primeiro procedimento em agosto de 2023
- Segunda etapa em novembro de 2023
- Terceira cirurgia realizada no último sábado
- Quarto procedimento previsto para 21 de março
- Separação final programada para final de junho
A terceira etapa contou com mais de 50 profissionais da saúde e de apoio, alcançando 75% da separação do cérebro e dos vasos sanguíneos das gêmeas.
Próximos passos e expectativas
Na próxima etapa, marcada para 21 de março, os médicos implantarão expansores para esticar a pele das meninas, preparando-as para a separação final. Tudo deve ocorrer ainda este ano, com a conclusão prevista para junho.
"Coração parece que vai pular de dentro para fora da boca", descreve a mãe sobre sua ansiedade durante os procedimentos.
Referência médica estabelecida
No Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, este é o terceiro caso tratado pelo mesmo método desde 2018, consolidando a instituição como referência nacional em separação de siameses unidos pela cabeça. A técnica envolve:
- Planejamento detalhado com modelos 3D
- Equipe multidisciplinar especializada
- Procedimentos realizados em etapas cuidadosamente espaçadas
- Monitoramento constante do desenvolvimento das crianças
A família aguarda com esperança e fé as próximas etapas, sonhando com o dia em que poderão realizar atividades simples como carregar cada filha separadamente no colo e passear sem as limitações impostas pela condição das gêmeas.
