Japão dá passo histórico com aprovação de terapia regenerativa para Parkinson
O Ministério da Saúde do Japão anunciou nesta sexta-feira (6) uma decisão que pode revolucionar o tratamento da doença de Parkinson em todo o mundo. As autoridades sanitárias concederam aprovação condicional e por tempo limitado para o medicamento Amchepry, desenvolvido pela farmacêutica japonesa Sumitomo Pharma, que utiliza células-tronco pluripotentes induzidas (células iPS) para substituir neurônios danificados no cérebro.
Terapia pioneira com células reprogramadas
O tratamento inovador consiste no transplante de células produzidas em laboratório diretamente no cérebro do paciente. "Esta é a primeira terapia comercial do mundo baseada em células iPS", destacam especialistas. As células utilizadas são obtidas a partir de células adultas do próprio organismo – como células da pele – que passam por um processo de reprogramação genética para retornar a um estado semelhante ao de células embrionárias.
A tecnologia foi desenvolvida pelo cientista japonês Shinya Yamanaka, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 2012. No caso específico do Parkinson, as células iPS são transformadas em precursoras de neurônios produtores de dopamina – substância química essencial para o controle dos movimentos que se torna deficiente nos pacientes com a doença.
Resultados promissores em estudos clínicos
Pesquisadores da Universidade de Kyoto conduziram testes clínicos que incluíram sete voluntários com idades entre 50 e 69 anos. Cada participante recebeu entre cinco e dez milhões de células transplantadas em cada lado do cérebro. As células, provenientes de doadores saudáveis e cultivadas em laboratório, mostraram:
- Sinais de melhora dos sintomas nos participantes
- Perfil de segurança adequado durante os procedimentos
- Potencial para restaurar funções motoras prejudicadas
A aprovação condicional significa que o tratamento poderá ser utilizado enquanto novos estudos continuam avaliando sua eficácia e segurança em um número maior de pacientes. A previsão é que a terapia comece a ser oferecida comercialmente a partir de 2026.
Outra terapia regenerativa também autorizada
Paralelamente ao tratamento para Parkinson, o governo japonês também autorizou o ReHeart, desenvolvido pela startup médica Cuorips. Esta tecnologia consiste em lâminas de músculo cardíaco cultivadas em laboratório que podem ser aplicadas sobre o coração para estimular a formação de novos vasos sanguíneos em pacientes com insuficiência cardíaca grave.
Segundo as autoridades japonesas, ambos os tratamentos devem começar a chegar aos pacientes a partir de meados deste ano, marcando um avanço significativo na medicina regenerativa.
Impacto em uma doença que afeta milhões
A doença de Parkinson é um transtorno neurológico crônico e degenerativo que afeta principalmente o sistema motor do corpo. Estima-se que quase 10 milhões de pessoas convivam com a condição em todo o mundo, segundo a Parkinson's Foundation. Os sintomas incluem:
- Tremores involuntários
- Rigidez muscular progressiva
- Lentidão de movimentos
- Dificuldades de equilíbrio e coordenação
Embora existam medicamentos capazes de aliviar temporariamente os sintomas, ainda não há cura nem tratamentos capazes de restaurar completamente as células perdidas no cérebro. Por esse motivo, terapias regenerativas como as baseadas em células-tronco vêm sendo estudadas com grande expectativa pela comunidade científica internacional.
A aprovação japonesa representa um marco importante no desenvolvimento de tratamentos que visam não apenas controlar sintomas, mas potencialmente reverter o processo degenerativo da doença de Parkinson.



