Irritação ocular foi primeiro sinal de doença hepática rara que fez mulher perder 30 cm de altura
Irritação no olho revelou doença rara que reduziu altura em 30 cm

Irritação ocular revela doença hepática rara que reduziu altura em 30 centímetros

Uma simples irritação nos olhos que surgiu enquanto assistia televisão em casa foi o primeiro sinal de uma doença hepática rara e potencialmente fatal para Caroline King, de 63 anos, residente em Wiltshire, no Reino Unido. O que parecia um incômodo visual comum acabou sendo o início de uma jornada médica complexa que a levou a perder quase 30 centímetros de altura e a depender de uma cadeira de rodas antes de receber um transplante de fígado salvador.

Do diagnóstico ao transplante: uma jornada de superação

Em 2018, Caroline percebeu sua visão ficando irritada e fora de foco durante um momento de lazer em casa. "Pensei: isso é muito, muito estranho", relatou ela sobre a experiência inicial. A consulta com um oftalmologista revelou uma condição inflamatória ocular, mas o quadro se agravou no ano seguinte quando seus olhos e pele apresentaram uma coloração amarelada característica.

Uma biópsia hepática realizada em 2019 finalmente diagnosticou a hepatite granulomatosa, uma doença tão incomum que, segundo os médicos, pode ocorrer apenas um caso a cada dez anos. A condição exigiu um transplante de fígado, mas Caroline enfrentou uma espera de seis meses pelo procedimento.

Consequências devastadoras e recuperação impressionante

Durante o período de espera pelo transplante, os medicamentos necessários para controlar a doença causaram uma osteoporose severa na coluna vertebral de Caroline. Este efeito colateral dramático fez com que sua altura diminuísse de aproximadamente 1,63 metro para apenas 1,37 metro - uma redução de cerca de 26 centímetros que a deixou significativamente mais baixa.

Os sintomas da doença hepática eram tão graves que incluíam fadiga extrema e confusão mental, condições que a obrigaram a usar cadeira de rodas temporariamente. "Olhando para trás, ainda não consigo acreditar no que aconteceu e que ainda estou aqui", confessou Caroline sobre esse período desafiador.

Seis anos depois: mensagem de esperança e conscientização

Atualmente, seis anos após o diagnóstico inicial, tanto a função hepática quanto a saúde ocular de Caroline estão sob controle adequado. Sua altura recuperou parcialmente, chegando a 1,52 metro, e ela se tornou uma defensora pública da conscientização sobre doenças hepáticas raras.

"O corpo humano é incrível", declarou Caroline à BBC, acrescentando que sua mensagem principal para outras pessoas enfrentando desafios de saúde é "nunca desistir". Ela compartilha sua história publicamente para incentivar outros pacientes e destacar a importância do diagnóstico precoce.

O panorama das doenças raras no mundo e no Brasil

Caroline King integra o grupo de aproximadamente 300 milhões de pessoas em todo o mundo que vivem com alguma condição considerada rara. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma doença é classificada como rara quando afeta até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes, o que equivale a aproximadamente 1,3 caso para cada 2 mil indivíduos.

Pamela Healy, diretora-executiva da British Liver Trust, organização britânica dedicada a doenças hepáticas, alerta que "muitas vezes, a falta de conscientização leva a diagnósticos tardios e a acesso desigual a atendimento especializado" para essas condições. Ela enfatiza a necessidade de maior compreensão, diagnóstico mais precoce e investimento contínuo em pesquisa médica.

No contexto brasileiro, o Ministério da Saúde estima que existam entre 6 mil e 8 mil tipos diferentes de doenças raras, afetando aproximadamente 13 milhões de pessoas em todo o país. Cerca de 80% dessas condições têm origem genética, enquanto as demais decorrem de causas ambientais, infecciosas ou imunológicas.

As doenças raras geralmente apresentam características comuns: são crônicas, progressivas, incapacitantes e recebem atenção limitada da indústria farmacêutica devido ao número reduzido de pacientes afetados. A história de Caroline King ilustra dramaticamente como sintomas aparentemente simples podem esconder condições médicas complexas que exigem atenção especializada e apoio contínuo.