IA em hospitais de BH personaliza tratamentos e acelera reabilitação de pacientes
IA em hospitais de BH acelera reabilitação de pacientes

O uso de inteligência artificial em hospitais de Belo Horizonte está revolucionando o atendimento, tornando-o mais personalizado e eficiente, especialmente em tratamentos de reabilitação. No CTI de um hospital público da capital mineira, o Dr. Bruno percorre os leitos, onde os pacientes permanecem, em média, dez dias internados. Durante esse período, a equipe médica atualiza constantemente o prontuário digital. Antes, consultar informações específicas ou esclarecer dúvidas pontuais demandava tempo. Agora, com a inteligência artificial, esse processo foi otimizado.

Sistema de resumo clínico com IA

A área de tecnologia do hospital desenvolveu um sistema que cruza todos os dados do paciente e gera um resumo para o médico, funcionando como uma busca na internet, mas restrita às informações inseridas pela própria equipe. Para criar o sistema, os médicos listaram as perguntas mais frequentes de cada setor, como alergias ou lesões. “Com a IA, basta acessar o paciente, selecionar a pergunta de geração do relatório que a IA responde. Reduzimos de aproximadamente cinco minutos para 50 segundos a geração desse relatório. É uma IA do bem, porque tira o médico da frente do computador e o coloca mais próximo do paciente”, afirma Alessander Souza Victor, coordenador de infraestrutura do hospital. Essa ferramenta é uma ajuda preciosa para os 44 médicos da unidade, que atende exclusivamente pacientes do SUS.

Impacto na emergência

O médico intensivista Bruno Resende destaca a importância da rapidez na informação: “Quanto antes sabemos a causa de uma parada cardiorrespiratória, maior a chance de o paciente retornar. Com informação mais rápida, corrigimos o problema mais rápido, aumentando a chance de retorno aos batimentos cardíacos efetivos”.

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Inteligência artificial na farmácia hospitalar

Outro sistema de IA atua na farmácia do hospital, reunindo dados do paciente, interações medicamentosas e dosagens prescritas para gerar relatórios individualizados de forma ágil. “O sistema garante que o paciente receba o medicamento correto, na dose correta e no tempo certo”, afirma Josielle Mara Pereira, farmacêutica clínica do hospital.

Reabilitação com apoio da IA

O aposentado Jonatas Moreira, que ficou paraplégico após um acidente de moto, utiliza uma bicicleta ergométrica inovadora desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O projeto participou de uma olimpíada de inovações para pessoas com deficiência na Suíça. “Fiquei muito tempo sem mexer as pernas. Nos primeiros testes no laboratório, foi uma sensação muito boa”, relata Jonatas.

O sistema coleta informações da pedalada, como força e ângulo, e ativa artificialmente grupos musculares. Agora, a expectativa é que essa tecnologia, que levou Jonatas às Olimpíadas Biônicas, ajude na recuperação de outros pacientes. A partir de um modelo, os cientistas da UFMG criaram uma bicicleta ergométrica que usa IA para reabilitar pessoas que perderam movimentos. Esse é o projeto de mestrado da engenheira biomédica Melissa Faria. “O dispositivo na testa do paciente capta se ele está pensando no movimento de pedalar. A ideia é pegar esses pensamentos e ver se ele está concentrado na tarefa de movimentar os membros inferiores”, explica Melissa.

Benefícios da tecnologia

O coordenador da pesquisa, professor de engenharia da UFMG Henrique Martins, ressalta que o ritmo não cai, mesmo com falta de força ou tônus muscular, comum em pacientes com movimento reduzido. “Essa tecnologia tem como ganho imediato o ganho de massa muscular na perna, evitando a atrofia, e também faz a ligação entre a musculatura dos membros inferiores com a intenção do paciente de mover”, diz.

O fisioterapeuta Thiago Brito, coordenador de fisioterapia da rede Paulo de Tarso, que atende cerca de 70 mil pacientes do SUS por ano e receberá o modelo, afirma: “Esse processo que liga a intenção do paciente ao movimento e à sensação amplia a reabilitação, permitindo que os pacientes tenham uma reabilitação efetiva e recuperem movimentos e autonomia”.

Jonatas Moreira, esperançoso, conclui: “No fundo, a gente sempre vê uma luz no final do túnel. Acredito que posso ter bons resultados na minha saúde, na minha recuperação”.

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