Hipertensão cresce 31% no Brasil e já causa uma morte a cada dois minutos
Hipertensão cresce 31% no Brasil e mata a cada 2 min

A hipertensão arterial permanece como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Silenciosa e frequentemente assintomática, a condição pode progredir por anos sem manifestar sinais evidentes. Esse fator dificulta o diagnóstico precoce e faz com que muitos pacientes descubram a doença apenas após uma complicação grave, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou o infarto do miocárdio.

Crescimento alarmante de casos

Dados do Vigitel 2025, pesquisa anual do Ministério da Saúde, revelam que o número de adultos brasileiros com hipertensão aumentou 31% entre 2006 e 2024. O índice acende um alerta sobre o estilo de vida de milhões de pessoas no país. “A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias. Quando esses níveis permanecem elevados de forma persistente, o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue, o que pode danificar os vasos sanguíneos e órgãos como coração, cérebro e rins”, explica o Dr. Celso Amodeo, cardiologista e nefrologista do hospital Hcor, especialista em hipertensão arterial.

Relação com mortes evitáveis

A hipertensão está diretamente ligada às principais causas de morte no Brasil. A cada ano, mais de 300 mil óbitos ocorrem devido a AVC e infarto do miocárdio, o que representa, em média, uma morte a cada dois minutos. Estima-se que cerca de 80% dos casos de AVC estejam associados à hipertensão não controlada.

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Prevenção e controle

Apesar de ser uma condição crônica, a hipertensão pode ser prevenida e controlada com mudanças no estilo de vida. “Reduzir o consumo de sal e de alimentos ultraprocessados, praticar cerca de 150 minutos de atividades físicas por semana, evitar o tabagismo, regular o consumo de álcool e monitorar constantemente a pressão, especialmente após os 40 anos, são etapas fundamentais para se prevenir contra a doença”, orienta o especialista.

Novas diretrizes sobre pressão arterial

De acordo com as diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Nefrologia e a Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial, a pressão arterial de 12 por 8 (120/80 mmHg) passou a ser considerada um quadro de pré-hipertensão. Essa nova classificação não significa ter a doença, mas serve como orientação preventiva. O Dr. Amodeo explica que a mudança gerou preocupação e questionamentos entre pacientes, que passaram a enxergar o tradicional 12 por 8 com apreensão. No entanto, não se trata de um quadro grave e não exige ida imediata ao médico. “É um ponto de atenção, uma oportunidade de agir antes que a hipertensão se desenvolva. Essa orientação é fundamental para estimular hábitos mais saudáveis sem sobrecarregar o sistema de saúde”, comenta.

Conclusão

A hipertensão é altamente prevalente, mas também altamente prevenível. “A nova diretriz é um convite à mudança de comportamento antes que o problema se torne grave”, conclui o Dr. Celso Amodeo.

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