Especialista alerta: gordura no fígado é pandemia global que afeta um terço da população
Gordura no fígado afeta um terço da população mundial, alerta especialista

Especialista internacional alerta sobre pandemia silenciosa da gordura no fígado

O mundo enfrenta atualmente uma convergência preocupante de três pandemias interligadas: obesidade, diabetes tipo 2 e doença hepática esteatótica metabólica, popularmente conhecida como gordura no fígado. Segundo especialistas, esta última representa um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade, com números que impressionam pela magnitude.

"As notícias não são boas", afirma maior autoridade no assunto

Zobair Younossi, presidente do Global NASH Council e professor da Universidade Georgetown, com mais de três décadas de experiência no campo da hepatologia, esteve recentemente no Brasil participando da Semana de Fígado do Rio de Janeiro. Durante o evento, o especialista concedeu entrevista exclusiva onde expôs suas preocupações sobre o cenário atual e futuro da doença.

"Estamos diante de uma das causas mais comuns de cirrose, câncer de fígado e indicação para transplante hepático", afirmou Younossi. "A previsão, infelizmente, é que os números continuem crescendo de forma alarmante nos próximos anos".

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Números que assustam: 1,3 bilhão de pessoas afetadas

Dados recentemente publicados no periódico científico The Lancet revelam que aproximadamente 1,3 bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com a MASLD, muitas vezes sem sequer saberem do diagnóstico. A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica afeta cerca de um terço da população global, segundo estimativas dos especialistas.

"Estou envolvido nesse campo de estudo por mais de 30 anos e devo dizer que a MASLD está se tornando a doença hepática mais prevalente no mundo", destacou Younossi. "Ela é impulsionada principalmente pela pandemia de obesidade e diabetes tipo 2, que continuam a crescer em proporções epidêmicas".

Brasil e América Latina em situação especialmente preocupante

O hepatologista internacional chamou atenção para a situação particularmente grave no Brasil e em outros países da América Latina, que concentram as maiores prevalências globais da doença. Segundo Younossi, projeções feitas em colaboração com colegas brasileiros indicam um cenário alarmante para as próximas duas décadas.

"Não são boas notícias para a região", afirmou o especialista. "A MASLD é uma doença complexa influenciada por fatores genéticos e ambientais. No Brasil e na América Latina, observamos maior frequência de uma alteração genética que propicia o quadro, combinada com fatores como consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e falta de atividade física regular".

Fatores de risco e complicações graves

Entre os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento e agravamento da doença, Younossi destacou:

  1. Predisposição genética específica mais comum em populações latino-americanas
  2. Consumo elevado de alimentos ultraprocessados e bebidas com alto teor de açúcar
  3. Sedentarismo e falta de atividade física regular
  4. Consumo de álcool, mesmo em quantidades consideradas moderadas

O especialista ressaltou ainda que a MASLD já se tornou, pelo menos na Europa, a segunda maior causa de transplante hepático, superada apenas pelas hepatites virais. A doença pode evoluir para complicações graves como:

  • Cirrose hepática em estágios avançados
  • Câncer de fígado (carcinoma hepatocelular)
  • Falência hepática necessitando de transplante
  • Complicações cardiovasculares associadas

Chamado urgente para ação imediata

Diante do cenário preocupante, Younossi fez um apelo por medidas urgentes em múltiplos níveis. "Prevejo um impacto social e econômico substancial se não agirmos desde já", alertou o hepatologista. "Temos de educar tanto os colegas médicos quanto os formuladores de políticas públicas para introduzir mudanças estruturais que possam reverter essa tendência alarmante".

O especialista defendeu a implementação de estratégias que incluam:

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  • Programas de educação em saúde para a população geral
  • Capacitação de profissionais de saúde para diagnóstico precoce
  • Políticas públicas que desincentivem o consumo de alimentos ultraprocessados
  • Promoção de hábitos de vida saudáveis desde a infância
  • Investimento em pesquisas sobre tratamentos mais eficazes

A entrevista exclusiva com Zobair Younossi foi conduzida pela hepatologista Cristiane Vilela Nogueira, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante o tradicional evento médico realizado anualmente no Rio de Janeiro. O especialista americano deixou claro que, sem ações coordenadas e imediatas, a pandemia da gordura no fígado continuará a se expandir, representando um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI.