Gêmeas unidas pela cabeça têm terceira cirurgia de separação bem-sucedida em Ribeirão Preto
Gêmeas unidas pela cabeça têm terceira cirurgia bem-sucedida

Após sete horas de procedimento, terminou neste sábado (28) a terceira cirurgia de separação das gêmeas Heloísa e Helena, de 2 anos, que nasceram unidas pela cabeça. As meninas apresentam quadro de saúde estável e se recuperam bem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Detalhes da cirurgia e próximos passos

Em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (4), a equipe médica responsável pelo caso divulgou atualizações sobre o estado de saúde das gêmeas e detalhou o procedimento realizado. A cirurgia contou com mais de 50 profissionais da saúde e de apoio, alcançando 75% da separação do cérebro e dos vasos sanguíneos compartilhados pelas irmãs.

"O que a gente fez foi seguir nosso planejamento", explicou o neurocirurgião pediátrico Marcelo Volpon. "A cirurgia dividida em etapas é o que traz melhores resultados e diminui as chances de complicações. Conseguimos evoluir bastante na separação, agora indo para um outro ângulo, com separação de alguns vasos sanguíneos importantes que elas compartilhavam e mais uma parte de cérebro também."

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Próximas etapas do tratamento

As gêmeas siamesas ainda devem passar por mais duas cirurgias até serem completamente separadas, com tudo programado para ocorrer ainda em 2025. Jayme Farina Junior, coordenador e cirurgião plástico, revelou que o quarto procedimento está agendado para 21 de março.

Nessa próxima etapa, o objetivo será implantar expansores para esticar a pele das meninas, preparando-as para a separação final, prevista para o final de junho deste ano. "A ideia é colocar expansores de pele, porque não há pele suficiente para o fechamento dos crânios", afirmou Farina. "Essa expansão é progressiva até o final de junho, quando planejamos fazer a separação total dos corpos."

O médico detalhou o funcionamento dos expansores: "São bolsas de silicone que colocamos vazias, com uma válvula embaixo da pele. Semanalmente, injetamos soro fisiológico nessas válvulas, e elas vão enchendo com esse líquido. Isso permite a expansão da pele, fazendo uma analogia com o abdômen de uma gestante que vai aumentando."

Expectativas para o futuro

Com a separação total, as gêmeas passarão por um processo de adaptação, mas os médicos acreditam que poderão ter uma vida praticamente normal. "Obviamente que elas podem ter algumas restrições, principalmente no começo, que vão ter que aprender a viver de uma maneira completamente diferente, inclusive fisicamente", ponderou Volpon. "Mas, sim, tenhamos sucesso na separação e que elas consigam, com trabalho de reabilitação muito bem feito, andar, ter vida social, ir à escola e assim por diante."

Histórico das cirurgias

O primeiro dos cinco procedimentos planejados foi realizado em agosto do ano passado. As gêmeas passam por exames desde 2024, quando o planejamento das cirurgias começou. A segunda cirurgia aconteceu em novembro de 2025 e durou cerca de dez horas, com alta hospitalar após 19 dias.

Amarildo Batista da Silva, pai das gêmeas, acompanha as filhas desde a primeira cirurgia e expressou sua ansiedade pelo momento em que as meninas poderão se ver e brincar juntas. "Não vejo a hora. É sempre com aquele medo da próxima cirurgia, mas medo faz parte da vida. Elas precisam muito dessa separação para poder ver o rostinho uma da outra, poder brincar", disse emocionado.

Hospital se consolida como referência nacional

O caso de Heloísa e Helena, que são de São José dos Campos (SP), representa o terceiro conduzido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, que se tornou referência nacional em cirurgias de separação de gêmeos siameses.

O primeiro procedimento bem-sucedido foi registrado em 2018, após dois anos de acompanhamento e análise, separando as irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, do Ceará. O segundo caso envolveu as gêmeas Alana e Mariah, que nasceram em Ribeirão Preto, mas vivem com a família em Piquerobi (SP), com separação definitiva ocorrida em agosto de 2023 após procedimento de 25 horas.

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A complexidade técnica e o planejamento meticuloso dessas cirurgias colocam o hospital brasileiro em posição de destaque internacional na área de neurocirurgia pediátrica, demonstrando avanços significativos na medicina especializada em casos raros e complexos de siameses craniopagus.