Tecnologia inovadora mantém fígado funcionando por 4h35 fora do corpo em transplante pelo SUS
Fígado mantido 4h35 fora do corpo em transplante pelo SUS

Tecnologia revolucionária permite transplante de fígado após órgão funcionar por 4h35 fora do corpo

Um marco na medicina brasileira foi alcançado em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, onde um paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu um transplante de fígado após o órgão se manter em pleno funcionamento fora do corpo humano por impressionantes quatro horas e trinta e cinco minutos. O procedimento pioneiro foi realizado no Hospital de Base (HB) no último sábado (28), utilizando uma máquina de perfusão hepática que revoluciona os métodos tradicionais de preservação de órgãos.

Recuperação promissora do paciente

Rodolfo Aparecido Chicone, de 39 anos, já apresenta sinais significativos de recuperação, conseguindo caminhar pelos corredores da instituição médica poucos dias após a cirurgia complexa. O paciente permanece estável e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo monitorado de perto pela equipe médica especializada.

Tecnologia que dobra o tempo disponível para transplantes

Enquanto nos métodos convencionais o fígado pode ser preservado em gelo por aproximadamente 10 a 14 horas, a nova máquina de perfusão hepática amplia esse período para até 24 horas, praticamente dobrando a janela de tempo disponível para realização do transplante. Esta inovação tecnológica oferece condições significativamente melhores para avaliação médica e transporte seguro do órgão doado.

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O chefe do setor de transplante do HB, Renato Silva, destacou os avanços proporcionados pela nova técnica: "A tecnologia mantém o fígado em condições próximas às fisiológicas, controlando com precisão fatores como temperatura, fluxo sanguíneo e oxigenação. Isso permite uma avaliação mais precisa da viabilidade do transplante e reduz consideravelmente o risco de complicações pós-cirúrgicas".

Impacto na lista de espera por transplantes

Com a aquisição desta tecnologia de ponta, o Hospital de Base criou o Centro de Manutenção de Órgãos, com expectativas otimistas de aumentar substancialmente o número de órgãos aproveitados para transplante. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, mais de 72 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo aproximadamente 1,5 mil na fila específica por um fígado.

Horácio Ramalho, diretor executivo da Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto (Funfarme), explicou a complexidade do processo: "Para o órgão chegar ao receptor, ele passa por um processo longo que envolve múltiplas equipes especializadas, desde a retirada até o transporte. Com esta tecnologia, podemos aumentar significativamente a utilização desses órgãos doados com gestos de humanidade".

Expansão para outros órgãos e custos envolvidos

Inicialmente aplicada em transplantes hepáticos, a expectativa médica é expandir o uso da máquina de perfusão para outros órgãos, particularmente os rins. Cada procedimento utilizando esta tecnologia tem custo aproximado de R$ 50 mil, valor atualmente assumido integralmente pelo Hospital de Base.

O hospital planeja realizar 15 transplantes utilizando o equipamento para avaliar sua eficiência clínica e econômica, reunindo dados que possam subsidiar uma possível incorporação desta tecnologia ao SUS em âmbito nacional.

Histórico de excelência em transplantes

Desde a criação do Centro Integrado de Transplantes de Órgãos e Tecidos (Cintrans) em 1990, a instituição já realizou mais de 5,8 mil procedimentos de transplante, incluindo fígado, rins, coração, pulmão e medula óssea, consolidando-se como referência nacional na área.

A nova tecnologia representa um avanço significativo na medicina transplantológica brasileira, oferecendo esperança renovada para milhares de pacientes que aguardam por um órgão compatível para salvar suas vidas.

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