Como os hábitos de sono revelam a saúde do cérebro e o risco de demência
Os hábitos de sono são um espelho da saúde cerebral, com alterações durante o descanso podendo sinalizar riscos significativos para o desenvolvimento de demência. Durante o sono, o organismo realiza processos vitais de recuperação, e qualquer interrupção nesse ciclo pode estar diretamente ligada a prejuízos cognitivos futuros.
A forte associação entre distúrbios do sono e demência
O neurologista Arman Fesharaki-Zadeh destaca que a relação entre distúrbios do sono e demência é uma área de pesquisa em rápida evolução. "Há uma forte associação entre interrupções no sono, especialmente no sono profundo, e um risco maior de desenvolver demência", afirma o especialista. Ele acrescenta que a interrupção do sono, principalmente nas fases de consolidação, pode contribuir para prejuízos persistentes na memória, um alerta crucial para a saúde neurológica.
Principais distúrbios do sono ligados à demência
Os especialistas identificaram vários distúrbios do sono que servem como sinais de alerta:
- Insônia grave: Na doença de Alzheimer, dificuldades para iniciar o sono, despertares frequentes durante a noite, alterações comportamentais noturnas e sonolência ao longo do dia são comuns. O neurologista Fawad Mian explica que isso ocorre à medida que as áreas do cérebro responsáveis pelo ciclo sono-vigília se deterioram.
- Sonolência durante o dia: Quando o ciclo do sono é desregulado, o corpo perde a sincronização com o ambiente, levando a mais sono durante o dia e vigília à noite. Essas mudanças estão associadas a alterações comportamentais, já que a neurodegeneração afeta o relógio biológico do cérebro.
- Pesadelos e comportamentos durante o sono: Agir fisicamente durante sonhos, como gritar, levantar da cama ou fazer movimentos bruscos, pode ser um sinal precoce de demências como a demência com corpos de Lewy e a doença de Parkinson.
- Sonambulismo: Este distúrbio pode comprometer a capacidade do cérebro de eliminar resíduos durante a noite, o que, ao longo do tempo, pode contribuir para o declínio cognitivo, conforme alerta Fesharaki-Zadeh.
Hábitos comuns que aumentam o risco de demência
Um hábito aparentemente inofensivo, como dormir com fones de ouvido, pode ser prejudicial à saúde cerebral. A neurologista Baibing Chen adverte sobre os riscos desse costume. "Primeiro, não uso fones na cama. Se você faz isso, certifique-se de que o volume não está alto demais. Sons intensos podem danificar as células do ouvido interno e, com o tempo, aumentar o risco de perda auditiva e demência", disse ela em um vídeo nas redes sociais.
Chen também ressalta outros perigos:
- Usar fones por longos períodos pode acumular umidade e bactérias, aumentando o risco de infecções.
- Ouvir sons muito altos pode prejudicar o sono profundo e interferir no sistema responsável pela limpeza do cérebro durante a noite, eliminando toxinas essenciais.
Um estudo publicado na revista The Lancet em 2024 reforça essa preocupação, apontando que cerca de 45% dos casos de demência poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida, incluindo a adoção de hábitos de sono mais saudáveis.
Sinais alarmantes em pessoas jovens
Indicadores preocupantes de demência também podem aparecer em indivíduos mais jovens, levantando bandeiras vermelhas para a saúde neurológica precoce. A vigilância sobre os padrões de sono e a busca por orientação médica são passos fundamentais para a prevenção e o diagnóstico precoce.



