Cirurgias robóticas movimentam bilhões e se expandem no Brasil com mais de 200 robôs
Cirurgias robóticas: mercado bilionário e expansão no Brasil

O crescimento exponencial das cirurgias robóticas no Brasil e no mundo

O setor de cirurgias robóticas está experimentando um crescimento extraordinário em escala global, com mais de 2,6 milhões de procedimentos realizados apenas em 2024. Este número impressionante tende a aumentar rapidamente conforme os investimentos em tecnologia médica continuam a se expandir. De acordo com análises especializadas, o mercado global, que movimentou 8,8 bilhões de dólares em 2025, deve superar a marca de 18 bilhões até 2030, demonstrando o potencial econômico desta revolução médica.

A realidade brasileira: mais de 200 robôs em operação

No cenário nacional, a adoção da tecnologia robótica tem avançado significativamente. Enquanto nos Estados Unidos cerca de 5.000 máquinas realizam mais de 700.000 operações anualmente, o Brasil já conta com mais de 200 robôs em funcionamento em seus principais centros urbanos. Este é um avanço considerável quando comparado ao início tímido em 2008, quando a tecnologia era restrita a grandes hospitais paulistas.

"O modelo mais utilizado continua sendo o robô Da Vinci, mas a concorrência está aumentando com novos entrantes no mercado, o que deve contribuir para a redução dos preços a médio prazo", explica Carlo Passerotti, cirurgião do Centro Especializado em Urologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, uma das instituições pioneiras na adoção desta tecnologia no país.

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Regulamentação e cobertura obrigatória pelos planos de saúde

Um fator crucial para a disseminação dos equipamentos robóticos no Brasil foi a decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de incluir a cirurgia robótica para câncer de próstata em seu Rol de Procedimentos. A partir de 1º de abril de 2026, a cobertura pelos planos de saúde será obrigatória para este tipo de intervenção, que é uma das mais realizadas no país.

"A regulamentação nacional para cirurgias robóticas é mais sólida do que a existente para procedimentos laparoscópicos tradicionais", observa Passerotti, referindo-se às operações que utilizam microcâmeras de alta resolução.

Como funcionam os sistemas robóticos e o treinamento necessário

Os sistemas robóticos não operam de forma autônoma. São compostos por quatro braços mecânicos: um equipado com câmera na extremidade e outros com instrumentos especializados como pinças. A condução é realizada por médicos qualificados que utilizam joysticks específicos, exigindo treinamento especializado que inclui simuladores e cirurgias supervisionadas por profissionais experientes.

"Geralmente, os profissionais que já atuavam com cirurgia por vídeo se adaptam com maior facilidade. Após o treinamento adequado, o robô torna o cirurgião ambidestro e significativamente mais eficiente", destaca Gustavo Peixoto, coordenador médico do programa de cirurgia robótica da Kora Saúde, rede hospitalar privada com atuação em vários estados brasileiros.

Vantagens documentadas e futuro promissor com inteligência artificial

As vantagens das cirurgias robóticas são amplamente reconhecidas e documentadas pela comunidade científica. Conforme estudo publicado na revista Science por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, a robótica melhora consideravelmente a eficiência, segurança e consistência dos procedimentos, representando um avanço significativo em relação às cirurgias abertas tradicionais.

O futuro deste setor aponta para a integração com inteligência artificial, que ainda é pouco empregada na área mas tende a ganhar espaço progressivamente. Empresas como a Medtronic, que atua no Brasil desde 2020 e realiza cirurgias robóticas via Sistema Único de Saúde no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, já investem na integração de IA às suas plataformas.

"Estamos desenvolvendo soluções que capturam e analisam dados cirúrgicos em tempo real durante as operações", explica representante da empresa. "No entanto, estamos ainda distantes de cirurgias inteiramente conduzidas por máquinas sem intervenção humana. A experiência dos médicos continuará sendo essencial mesmo com os avanços tecnológicos."

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A diversificação das aplicações e benefícios para pacientes

A variedade de aplicações dos robôs cirúrgicos vem aumentando constantemente. Embora as especialidades que mais utilizam a tecnologia sejam urologia, ginecologia e cirurgia geral, os equipamentos já são empregados em procedimentos de cabeça, pescoço e joelho, entre outros.

"Os procedimentos robóticos são significativamente menos invasivos e, consequentemente, o tempo de recuperação dos pacientes tende a ser consideravelmente menor", afirma Peixoto. "Identificamos benefícios claros tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde."

A Kora Saúde, que começou a utilizar robôs em 2020, já observa resultados positivos em suas operações nos estados do Espírito Santo, Ceará, Tocantins, Mato Grosso, Distrito Federal e Goiás.

O equilíbrio entre tecnologia avançada e expertise humana

Embora as projeções apontem para robôs cada vez mais precisos, acessíveis e com usos mais diversificados, os especialistas concordam que a experiência humana permanece indispensável. A tecnologia amplia os recursos dos médicos, mas não substitui seu julgamento clínico e habilidades adquiridas através de anos de prática.

"Os robôs vão se tornar ferramentas cada vez mais sofisticadas, mas a tomada de decisão crítica continuará nas mãos dos profissionais de saúde", conclui Passerotti. "Estamos testemunhando uma evolução, não uma substituição."