Aquecimento global amplia risco de Chikungunya na Europa, alerta estudo científico
Aquecimento global eleva risco de Chikungunya na Europa

Aquecimento global amplia risco de Chikungunya na Europa, alerta estudo científico

Um estudo científico publicado no Journal of Royal Society Interface e divulgado nesta quarta-feira (18) pelo jornal britânico Guardian emite um alerta preocupante: o aumento global das temperaturas deve provocar, ao longo dos próximos anos, um crescimento significativo nas infecções pelo vírus Chikungunya, transmitido por mosquitos. Essa infecção viral, comum em regiões de clima tropical, pode se espalhar para mais 29 países, incluindo grande parte do continente europeu, com a situação no sul da Europa sendo considerada a mais alarmante.

Países sob maior risco e novos dados sobre transmissão

A pesquisa identifica Albânia, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Portugal como os seis países sob maior risco de epidemias associadas ao Chikungunya. Transmitido por mosquitos Aedes, principalmente das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus, que sobrevivem e se reproduzem em ambientes quentes, o vírus tem se beneficiado das mudanças climáticas. Com base em uma análise sobre o impacto da temperatura no tempo de incubação do vírus no Aedes albopictus, os cientistas concluíram que a temperatura mínima que permite infecção fica na casa dos 2,5 graus Celsius (°C), um patamar substancialmente menor do que o apontado por estudos anteriores, que estimavam transmissão apenas em temperaturas mínimas de 16°C a 18°C.

Já a temperatura máxima favorável à transmissão da doença varia entre os 13°C e os 14°C. Esses novos dados indicam que o risco de surtos de Chikungunya poderá abranger mais regiões e se prolongar por períodos mais longos do que se previa, conforme explicou Sandeep Tegar, autor principal do estudo, citado pelo Guardian. Ele afirmou que "é apenas uma questão de tempo" até que a doença se expanda para áreas mais ao norte da Europa, onde atualmente o impacto é menor.

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Impactos da doença e situação atual na Europa

A infecção pelo vírus Chikungunya provoca dores intensas e debilitantes nas articulações, que podem se prolongar por vários anos, sendo potencialmente fatal em crianças e idosos. A doença não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa, mas casos de transmissão de mãe para filho na gravidez e no perinatal, além de transfusões de sangue contaminado, já foram documentados, conforme artigo do médico Saraiva da Cunha no portal do Hospital da Luz. O vírus, detectado pela primeira vez em 1952 no Planalto Makonde, na Tanzânia, atingiu em grande escala a França e a Itália no ano passado, com centenas de casos registrados após vários anos com poucas ocorrências em toda a Europa.

Aquecimento global como fator crítico e recomendações

Os invernos frios da Europa costumavam ser uma barreira à atividade dos mosquitos Aedes, mas devido ao aquecimento global, esses insetos agora atuam durante todo o ano no sul da Europa. Sandeep Tegar, do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH), destacou que o ritmo de aumento nas temperaturas na Europa "é aproximadamente o dobro" da média global, tornando as novas estimativas sobre os limites de temperatura para propagação do vírus particularmente chocantes. A Dra. Diana Rojas Alvarez, que lidera a equipe da Organização Mundial da Saúde sobre vírus transmitidos por picadas de insetos e carrapatos, alertou que a doença pode ser devastadora, com até 40% das pessoas afetadas sofrendo de artrite ou dores agudas mesmo cinco anos após a contaminação.

Ela enfatizou a responsabilidade da Europa em controlar esses mosquitos para evitar uma maior disseminação, recomendando educação da comunidade sobre eliminação de água parada – onde os mosquitos se reproduzem –, uso de roupas compridas e de cores claras, aplicação de repelente e criação de sistemas de vigilância para a doença pelas autoridades de saúde. Paralelamente, Sandeep Tegar afirmou que a pesquisa conduzida por sua equipe fornece ferramentas necessárias para que as autoridades locais saibam quando e onde agir, visando mitigar os impactos do aquecimento global na saúde pública.

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