Iniciativa transforma experiência em salão de beleza para crianças com autismo no Acre
No estado do Acre, uma cabeleireira decidiu transformar seu estabelecimento em um espaço seguro e acolhedor para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A ida a um salão de beleza, que pode ser uma experiência desafiadora devido a fatores como barulho de tesouras, toques inesperados e iluminação intensa, agora é adaptada para garantir conforto e respeito.
Estratégia de atendimento focada na confiança
A proprietária Miriam Cruz, de Rio Branco, desenvolveu uma metodologia cuidadosa que começa no acolhimento e se estende por todo o procedimento. "Quando a criança chega ao meu espaço, combinamos com a mãe uma forma de abordagem que não seja truculenta. Sentamos, converso com a mãe, finjo cortar um cabelo e vou inserindo a criança aos poucos, conquistando sua confiança", explica Miriam.
Essa adaptação surgiu após um episódio em que uma mãe não avisou que seu filho era uma criança atípica. Com o salão cheio, Miriam percebeu o incômodo da criança com o ambiente barulhento. "A partir disso, criei toda uma estratégia para que isso não acontecesse mais", complementa a profissional.
Respeito ao tempo e necessidades individuais
O processo de atendimento é realizado sem pressa, podendo incluir pausas, conversas e distrações, com o objetivo principal de fazer a criança se sentir segura. Em abril, mês dedicado à conscientização sobre o TEA através da campanha Abril Azul, a iniciativa ganha ainda mais relevância, destacando que atender crianças com autismo exige paciência, sensibilidade e respeito ao tempo de cada uma.
História de superação e acolhimento
Nazaré Almeida, mãe de Maria Júlia, uma criança com TEA, relata as dificuldades enfrentadas antes de encontrar o salão de Miriam. "Tentamos dois salões, mas a Maju não se adaptou por causa da sensibilidade sensorial ao som e a tecidos. Ela chorava muito, às vezes convulsionava. Demorou até encontrar um local que respeitasse sua característica", diz Nazaré.
Desde os três anos de idade, Maria Júlia é atendida por Miriam em um espaço onde se sente compreendida sem julgamentos. "Eu me sinto extremamente acolhida. Aqui, a Maria Júlia tem horário só para ela, sem muitas pessoas conversando alto ou aparelhos fazendo barulho", detalha a mãe.
Gratificação que vai além do corte de cabelo
Para Miriam, a retribuição das crianças é a maior recompensa. "Fico muito feliz quando uma criança atípica sai daqui me abraçando e dizendo 'tchau, tia'. Isso é muito gratificante", conclui. Sua iniciativa demonstra que, com adaptação e respeito, é possível oferecer serviços que promovam inclusão e bem-estar, fazendo toda a diferença na vida dessas crianças e suas famílias.



