Estudante autista supera desafios e encontra no jornalismo sua voz em Juiz de Fora
Autista encontra no jornalismo sua voz após diagnóstico tardio

Estudante autista transforma diagnóstico tardio em força no jornalismo em Juiz de Fora

No mês de abril, dedicado à conscientização sobre o autismo, histórias como a de João Victor Xavier ganham especial relevância ao ilustrar os caminhos do respeito e acolhimento para pessoas no espectro. Diagnosticado com autismo nível 1 há pouco mais de um ano, aos 23 anos, o estudante de jornalismo – que também é formado em história e pedagogia – enfrentou décadas de dúvidas sobre suas diferenças antes de encontrar respostas.

O momento da descoberta: uma aula que mudou tudo

A revelação ocorreu durante uma aula sobre educação especial na faculdade de pedagogia, quando a turma teve contato com uma pessoa autista nível 2. Ao observar as características explicadas pela professora, João Victor se identificou profundamente. "Em todos esses sinais eu me encaixava", relata. "Tanto que me questionei e perguntei onde poderia procurar alguém para conversar sobre isso e fazer a avaliação neuropsicológica. Passou um tempo e veio o diagnóstico de autista nível 1 de suporte".

Após receber o diagnóstico, um sentimento de alívio e pertencimento tomou conta do estudante. "Até os 23 anos, eu não sabia por que agia diferente nem por que fazia as coisas de outro jeito. Meu comportamento não condizia com o das pessoas da minha idade", explica. As dúvidas que carregava por anos finalmente começaram a fazer sentido.

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Adaptações e a liberdade de ser autêntico

Com a nova compreensão sobre si mesmo, veio também a necessidade de adaptar rotinas. No entanto, João Victor destaca que não precisou mais "mascarar" sintomas como irritabilidade e sensibilidade excessiva a estímulos. "Minhas maiores dificuldades no ambiente de trabalho eram principalmente relacionadas à questão de estímulos, porque o autista possui todos os cinco sentidos muito aguçados", detalha. "Isso compromete muito a eficiência em execuções simples. Agora não preciso mais fingir ser algo que não sou".

Até mesmo o convívio familiar passou por transformações positivas, adquirindo uma nova dinâmica que respeita suas particularidades.

O microfone como ferramenta de superação

Atualmente realizando estágio em uma rádio de Juiz de Fora, João Victor encontrou no jornalismo uma poderosa ferramenta para enfrentar traumas e medos, enquanto desenvolve habilidades profissionais. Para ele, a inclusão de pessoas autistas nas universidades e no mercado de trabalho é fundamental. "O autista, ao estar no mercado de trabalho e até mesmo no ambiente escolar, pode desenvolver tarefas com muito mais eficiência, precisão e nas áreas onde tem gosto e aptidão", defende.

Entendendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição que afeta o desenvolvimento cerebral durante a gestação em diferentes níveis, impactando principalmente comunicação, socialização e comportamento. O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído pela ONU e celebrado em 2 de abril, tem como objetivos combater o preconceito, incentivar diagnóstico precoce e fortalecer políticas públicas.

O diagnóstico normalmente começa com suspeitas ainda na infância, através de:

  • Observação da criança em diversas atividades
  • Conversas com os pais sobre desenvolvimento
  • Métodos de monitoramento do desenvolvimento infantil

A história de João Victor Xavier serve como inspiração neste mês de conscientização, mostrando que o diagnóstico – mesmo quando tardio – pode abrir portas para autoconhecimento, adaptações saudáveis e realização profissional.

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