Obsessão pela magreza em Hollywood e redes sociais: o perigo do contágio social
Obsessão pela magreza ganha força em Hollywood e nas redes

A teoria do desejo mimético, formulada pelo pensador francês René Girard, previu a obsessão pela magreza na era das redes sociais. Em seu livro de 2008, Girard já alertava que, ao olharmos à nossa volta, descobrimos que há sempre alguém que parece melhor em beleza, inteligência, saúde e, sobretudo, na magreza. Essa dinâmica, amplificada pelas plataformas digitais, transformou a liberdade em escravidão da opinião alheia, gerando sérios riscos à saúde.

O fenômeno Hollyweird

O peso da fama continua a se impor, retroalimentando uma aversão à gordura. Estrelas como Ariana Grande, de 32 anos, Lily Collins, de 37, Nicole Kidman, de 58, e Demi Moore, de 63, exibem corpos cada vez mais esqueléticos em tapetes vermelhos e nas redes sociais. A imprensa americana denominou esse movimento de "Hollyweird", mas não há nada atípico para esse meio. Girard afirmou que a "alta cultura" se deixou contaminar pelas tendências anoréxicas muito antes de a perda de peso se tornar obsessão universal.

O contágio social e seus riscos

Não se trata de inferir diagnósticos com base em fotos viralizadas. Nem toda pessoa extremamente magra tem anorexia ou bulimia. No entanto, o holofote da magreza estimula jovens a seguir seus ídolos. Nos EUA, pais e especialistas se preocupam com o sucesso de filmes como Wicked: Parte II, cujas protagonistas magras influenciam a busca por um corpo enxuto entre fãs adolescentes. Esse contágio social, catapultado por plataformas como Instagram e TikTok, é bem documentado na psicologia e comporta riscos: um estudo dinamarquês com 85.761 pessoas concluiu que ser excessivamente magro pode ser mais letal do que estar acima do peso.

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Canetas emagrecedoras e a cultura da magreza

Outro fenômeno que nutre a cultura da magreza é a disseminação de canetas para tratamento da obesidade, como Wegovy e Mounjaro. Desenvolvidas para remediar problemas de saúde, tornaram-se artifício para perda de peso digna de postagem. Vive-se uma era de extremos: a obesidade grassa entre faixas mais pobres, enquanto a secura torna-se artigo de luxo. A cantora Kelly Osbourne, de 41 anos, que perdeu quase 40 quilos após cirurgia bariátrica, ostenta braços franzinos e faces encovadas. Como diz Girard, "nossos pecados estão inscritos na carne e devemos expiá-los até a última caloria".

Publicado em VEJA de 24 de abril de 2026, edição nº 2992.

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