Influenciadora submete-se a procedimento estético para remover veia na testa
A influenciadora digital Camila Loures compartilhou em suas redes sociais que realizou um procedimento para retirar uma veia aparente na região da testa. Segundo ela, a motivação foi puramente estética, visando eliminar uma característica que se tornava mais visível em situações específicas.
O relato pessoal e a motivação estética
"Eu tinha uma veia na testa que aparecia quando eu sorria muito, ficava ansiosa ou nervosa. Ela saltava, marcava bastante. Ele (cirurgião) queimou a veia, então vai ficar o vergão, o roxo, por uns dias", explicou Camila Loures em suas redes sociais. A influenciadora não é a primeira personalidade pública a buscar essa intervenção - em 2024, a cantora Anitta também revelou ter se submetido ao mesmo procedimento.
Falta de consenso científico e alertas médicos
Apesar do crescimento na procura por esse tipo de intervenção estética, especialistas ouvidos pelo g1 alertam que o procedimento ainda não tem consenso entre a comunidade médica nem respaldo científico consolidado. Cirurgiões destacam que não existem evidências suficientes sobre a segurança da técnica a médio e longo prazo.
Entendendo a veia supratroclear
A estrutura vascular que costuma incomodar nesses casos é a veia supratroclear, localizada na região central da testa, entre as sobrancelhas. Esta veia faz parte do sistema de drenagem venosa da face, ajudando a levar o sangue de volta ao coração. Na maioria das situações, sua presença não representa qualquer problema de saúde, sendo o incômodo exclusivamente estético.
Em algumas pessoas, esse vaso sanguíneo se torna mais visível, formando uma linha ou saliência na pele. Essa aparência tende a se acentuar com o passar dos anos devido ao envelhecimento natural, que provoca:
- Afinamento da pele
- Redução da gordura subcutânea
- Diminuição da produção de colágeno
Como funciona o procedimento
Para reduzir a aparência da veia, existem abordagens com laser que atuam diretamente sobre o vaso sanguíneo. As principais técnicas incluem:
- Laser transdérmico: aplicado na superfície da pele
- Laser endovenoso: realizado no interior da veia, técnica já utilizada no tratamento de varizes em outras partes do corpo
Segundo a cirurgiã vascular Aline Lamaita, porém, esse tipo de intervenção ainda carece de estudos científicos robustos. "Hoje, não temos estudos nem dados sobre taxa de complicações ou segurança no médio e longo prazo", afirma a especialista.
Riscos e possíveis complicações graves
A anatomia da região da testa exige extrema cautela, conforme explica a cirurgiã plástica Gabriela Schwartzmann, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Os vasos dessa área têm conexões com a região da glabela (entre as sobrancelhas), que se comunica com estruturas ligadas diretamente à visão.
"São vasos que irrigam o globo ocular e o nervo óptico. Por isso, o maior risco é a embolização desses vasos, o que poderia comprometer a visão", alerta Schwartzmann.
Além desse risco significativo, outras possíveis complicações incluem:
- Necrose da pele em caso de lesão acidental de artérias próximas
- Congestão sanguínea pela alteração da drenagem da face
- Fibrose como resposta à cauterização da veia
- Lesões térmicas que podem causar queimaduras ou manchas permanentes
Contraindicações e necessidade de avaliação individualizada
A cirurgiã Beatriz Lassance destaca fatores que podem contraindicar ou dificultar o procedimento, incluindo:
- Presença de infecções locais, como acne na região a ser tratada
- Pele bronzeada, que aumenta o risco de pigmentação indesejada após o uso do laser
Diante das incertezas sobre a segurança da técnica, os especialistas recomendam cautela extrema. A avaliação deve ser rigorosamente individualizada, considerando cuidadosamente os riscos potenciais, os benefícios esperados e a ausência de dados consolidados sobre a eficácia e segurança do procedimento a longo prazo.



