Jovem é presa por tentativa de homicídio após perseguição implacável a ex-namorado em São Vicente
A Polícia Civil prendeu na madrugada do último domingo (5) Mariana dos Santos Muniz, de 20 anos, suspeita de tentar matar a esposa do seu ex-namorado em São Vicente, no litoral paulista. A vítima, de 28 anos, foi socorrida com ferimentos na coxa e na cabeça no Hospital do Vicentino após o ataque ocorrido no bairro Vila São Jorge.
Escalada de violência documentada em 15 boletins de ocorrência
Conforme investigações, o ex-companheiro de Mariana, de 37 anos, registrou nada menos que 15 boletins de ocorrência contra ela desde o início de 2024, acusando-a dos crimes de ameaça e perseguição. Em seu depoimento à polícia, o homem relatou que conheceu a suspeita em uma academia no ano passado e que o relacionamento durou aproximadamente oito meses.
"Desde o término do relacionamento, que durou cerca de oito meses no ano de 2024, a indiciada iniciou uma perseguição implacável", afirmou a juíza Maísa Leite, da Vara Regional das Garantias de Santos, ao decretar a prisão preventiva da acusada.
Comportamento possessivo e atos extremos
Segundo o ex-namorado, Mariana começou a apresentar "comportamentos estranhos e possessivos", o que o levou a terminar o relacionamento. Em dezembro de 2024, ele registrou o primeiro boletim de ameaça após a mulher pular o portão de seu prédio e esperá-lo em frente à residência.
Os autos do processo revelam uma série de ações perturbadoras atribuídas à suspeita:
- Arrombamento de uma porta de alumínio
- Envio de fotos se automutilando para forçar contato
- Destruição de pertences pessoais do ex-companheiro
Tentativa de homicídio frustrada por reação da vítima
De acordo com o boletim de ocorrência, a tentativa de homicídio foi frustrada porque a vítima conseguiu empurrar a agressora com os pés durante o ataque. Um detalhe curioso: a lâmina da faca utilizada no crime também se quebrou durante os golpes, possivelmente contribuindo para que os ferimentos não fossem mais graves.
A magistrada destacou em sua decisão que o caso não representa um evento isolado, mas sim o ápice de uma longa, documentada e ininterrupta escalada de violência. Os 15 registros policiais foram determinantes para a decretação da prisão preventiva.
Medo e mudança de vida
O ex-namorado da acusada revelou à Polícia Civil que pretende se mudar após este último episódio violento, pois teme pela sua própria segurança e pela de sua companheira. A decisão reflete o nível de apreensão gerado pela persistência das ameaças e perseguições.
Defesa alega ré primária e bons antecedentes
Em contato com a imprensa, o advogado Angelo Santos, responsável pela defesa de Mariana, afirmou que sua cliente é ré primária e detém bons antecedentes, sem anotações em sua ficha criminal.
"Tais acusações de perseguição, ameaça e dano ainda não foram formalmente comunicadas à Mariana ou à sua defesa, mas serão devidamente esclarecidas em juízo", destacou o defensor, indicando que contestará as alegações no processo judicial.
O caso segue sob investigação da Delegacia Sede de São Vicente, que já acumula extensa documentação sobre o comportamento da acusada ao longo de meses de perseguição sistemática ao ex-companheiro e sua atual esposa.



