Servidores em greve completam 15 dias de protesto contra lei municipal em Belém
Greve de servidores em Belém completa 15 dias contra lei

Servidores em greve completam 15 dias de protesto contra lei municipal em Belém

Servidores da Assistência Social de Belém completaram nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, quinze dias de greve, marcados por um ato unificado que reuniu diversas categorias do funcionalismo público municipal na capital paraense. A mobilização protesta contra a Lei Municipal nº 10.266/26, aprovada pela gestão do prefeito Igor Normando (MDB), que altera o Estatuto dos Servidores e, segundo os manifestantes, retira direitos históricos da categoria.

O protesto ocorreu de maneira pacífica e foi acompanhado por agentes da Guarda Municipal. O movimento iniciou em 19 de janeiro, em caráter emergencial, e já realizou panfletaços, caminhadas, bloqueios de vias e ocupação da sede da Fundação Papa João XXIII (Funpapa).

Críticas à nova legislação e apoio político

Os servidores denunciam que a nova legislação precariza condições de trabalho, desmonta carreiras e fragiliza o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR), comprometendo a qualidade dos serviços prestados à população. Durante o ato unificado, representantes das categorias afirmaram que a luta vai além de questões corporativas.

A deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) manifestou apoio à greve e criticou a gestão municipal. A greve unificada de duas categorias, educação e assistência social, é a demonstração de uma crise profunda na administração municipal, afirmou. A parlamentar também cobrou que a administração municipal estabeleça diálogo com os trabalhadores.

Organização da greve e falta de diálogo

O Sindicato dos Trabalhadores da Assistência Social (Sintsuas) informou que a greve continua organizada e com amplo apoio da categoria. A mobilização deve seguir até que haja abertura real de diálogo, revogação da Lei nº 10.266/26 e compromisso da gestão com a valorização dos servidores.

Em 21 de janeiro, representantes do Fórum de Entidades se reuniram com o secretário municipal Patrick Tranjan. Na ocasião, foi definida a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para discutir os pontos críticos da nova lei, com a participação de representantes de cada categoria do funcionalismo. Nesta segunda-feira, durante o ato unificado, a composição do GT foi oficializada, com a apresentação dos nomes indicados pelas entidades representativas.

Apesar do encaminhamento, os trabalhadores denunciam ausência de diálogo efetivo, desrespeito a agendas confirmadas e falta de respostas para problemas históricos como:

  • Falta de servidores
  • Condições precárias de trabalho
  • Sobrecarga das equipes
  • Ausência de estrutura adequada para atendimento no Sistema Único de Assistência Social (SUAS)

O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Belém para comentar as reivindicações dos servidores, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.