Acre lidera resgates de trabalho análogo à escravidão no Norte em 2025
Acre lidera resgates de trabalho escravo no Norte em 2025

Acre lidera resgates de trabalho análogo à escravidão no Norte em 2025

O Acre registrou 19 pessoas resgatadas de situação análoga à escravidão em 2025, conforme dados divulgados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Este número coloca o estado na primeira posição da região Norte, à frente do Pará, que teve 17 resgates, e em 14º lugar no ranking nacional.

Empregadores na 'lista suja' aumentam no estado

Outro dado preocupante revela que, no ano passado, subiu de dois para três o número de empregadores acreanos incluídos na chamada 'lista suja', atualizada periodicamente pelo MTE. Esses três contratantes foram alvo de fiscalizações que identificaram, ao todo, 52 trabalhadores em situação irregular, evidenciando a persistência de práticas ilegais no mercado de trabalho local.

Panorama nacional: mais de 2,7 mil resgatados e mudança de perfil

Em todo o país, foram mais de 2,7 mil pessoas resgatadas em 2025 de condições análogas à escravidão. Um dos principais destaques do ano foi a mudança no perfil das ocorrências: pela primeira vez, o número de trabalhadores resgatados no meio urbano superou o do meio rural, indicando uma expansão do problema para as cidades.

Os estados com maior número de fiscalizações foram:

  • São Paulo (215 ações)
  • Minas Gerais (145 ações)
  • Rio de Janeiro (123 ações)
  • Rio Grande do Sul (112 ações)
  • Goiás (102 ações)

Setores com mais resgates e irregularidades frequentes

De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), os setores com o maior número de trabalhadores resgatados em 2025 foram:

  1. Obras de alvenaria (601 resgatados)
  2. Administração pública em geral (304 resgatados)
  3. Construção de edifícios (186 resgatados)
  4. Cultivo de café (184 resgatados)
  5. Extração e beneficiamento de pedras e outros materiais para construção (126 resgatados)

Entre as principais irregularidades encontradas nas fiscalizações, destacam-se:

  • Trabalho em condições degradantes: 274 registros de situações contrárias às normas de proteção, incluindo trabalho forçado.
  • Falta de registro formal: 149 ocorrências de trabalhadores sem anotação em livros ou sistemas eletrônicos.
  • Ambiente de trabalho inseguro: 141 infrações por ausência de condições adequadas de segurança e higiene.
  • Descumprimento de exames médicos: 118 casos de empregadores que não realizaram exames ocupacionais conforme a Norma Regulamentadora nº 31.
  • Ausência de EPIs: 107 autos de infração pela não entrega gratuita de Equipamentos de Proteção Individual a trabalhadores rurais.
  • Omissão de comunicação ao governo: 94 ocorrências de descumprimento do prazo para informar admissões ao MTE.

Esses dados reforçam a necessidade de fiscalização contínua e políticas públicas eficazes para combater o trabalho análogo à escravidão no Brasil, com atenção especial a regiões como o Acre, onde os índices permanecem alarmantes.