O primeiro dia do ano de 2026 em São Paulo começou com um reajuste nas contas de água fornecidas pela Sabesp. A tarifa básica do serviço sofreu um aumento de 6,11%, válido a partir desta quinta-feira, 1º de janeiro.
Entenda o cálculo do aumento pós-privatização
Segundo a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o percentual aplicado corresponde exatamente à correção da inflação medida pelo IPCA no período de 16 meses, que serviu como referência. Esse intervalo de tempo foi contado desde a conclusão do processo de privatização da empresa, em julho de 2024, até outubro de 2025.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) foi a responsável por definir os novos valores, em deliberação ocorrida no dia 1º de dezembro do ano passado. O governo estadual enfatizou que o reajuste se limita à reposição inflacionária, sem qualquer aumento real para os consumidores.
Como fica o valor na prática para o consumidor?
Com a mudança, o custo de mil litros de água para a tarifa residencial mais comum, que abrange consumos entre 11 e 20 metros cúbicos, passou de R$ 6,01 para R$ 6,40 por metro cúbico. A alteração impacta diretamente o bolso dos paulistas que utilizam os serviços da companhia.
O governo de Tarcísio de Freitas fez uma comparação com o cenário que teria sido adotado se a Sabesp não tivesse sido privatizada. De acordo com a administração estadual, este primeiro reajuste pós-desestatização ficou 15% abaixo do índice que seria aplicado caso a empresa ainda fosse estatal.
O que mudou com a privatização e as promessas feitas
O tema do reajuste tarifário foi alvo de declarações do governador ao longo do processo de privatização. Inicialmente, Tarcísio afirmou que a tarifa não iria aumentar para a população. Posteriormente, a explicação foi ajustada, indicando que os reajustes não ultrapassariam um índice de referência projetado em contrato, que simula como seriam as tarifas se a empresa permanecesse estatal.
O novo modelo tarifário introduzido com a privatização também incorpora o conceito de "tarifa de equilíbrio". Esse mecanismo tem o objetivo de absorver investimentos que forem efetivamente realizados e auditados pela Arsesp nos ciclos futuros. A partir do próximo reajuste, o cálculo do índice voltará a ser baseado no acumulado de inflação em 12 meses, e não mais em 16.
Enquanto os paulistas sentem o impacto no bolso com o reajuste, o sistema Cantareira, principal reservatório da região metropolitana de São Paulo, enfrenta uma situação crítica. Relatórios recentes apontam que o manancial opera com apenas 20% do seu volume útil de água disponível, acendendo um alerta sobre a segurança hídrica do estado.