Estudante de medicina em estado vegetativo após cirurgia: família aguarda avanços em 2026
Estudante em estado vegetativo: família espera por tratamento

O início de 2026 traz um misto de esperança e luta para a família de Larissa Moraes de Carvalho, uma jovem de 32 anos que vive em estado vegetativo desde março de 2023. A estudante de medicina sofreu graves sequelas após uma cirurgia de correção da mandíbula e do maxilar, realizada na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

A esperança em um tratamento experimental

A principal expectativa para este ano está marcada para março, quando Larissa terá uma consulta em São Paulo para avaliar os efeitos do tratamento com células-tronco que iniciou há cerca de um ano. O método, embora experimental, é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O material biológico utilizado foi uma amostra de células-tronco coletadas do próprio corpo da jovem, que foram multiplicadas e preparadas em laboratório antes da aplicação, no fim de setembro de 2024. A família aguarda que, com o tempo, essas células ajudem a reparar áreas lesionadas do cérebro.

"Qualquer avanço já é importante, mas nossa esperança é recuperar completamente Larissa. Eu queria que ela pudesse sair pulando amanhã, sem precisar de mais tratamento. Essa é a nossa esperança para o ano que começa", afirma o pai, Ricardo Carvalho.

Rotina de cuidados e busca por justiça

Desde o incidente, a vida da família se transformou em uma rotina intensiva de cuidados. Larissa recebe atendimento em home care, uma decisão inicialmente concedida por liminar e posteriormente confirmada pela Justiça, mesmo com questionamentos do plano de saúde da Prefeitura.

A estrutura montada em sua casa funciona como um hospital domiciliar, com uma equipe que inclui enfermeira, fisioterapia duas vezes ao dia (inclusive nos finais de semana), fonoaudiologia diária e quatro técnicos de enfermagem em turnos de 12 horas.

Paralelamente aos cuidados, a família busca respostas e outros tratamentos. O caso foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e, em setembro de 2023, foi determinada a abertura de uma investigação pela Polícia Civil, que segue em andamento. Além da Santa Casa de Misericórdia, o médico cirurgião e a médica anestesista são investigados.

Em agosto de 2025, a Polícia Civil indiciou um técnico de enfermagem por lesão corporal culposa. As investigações apontaram que não houve indícios de erro médico no procedimento cirúrgico em si, mas sim uma falha no atendimento durante o transporte da paciente do centro cirúrgico para o quarto. A família, no entanto, cobra mais esclarecimentos. "Indiciaram uma pessoa, mas não determinaram o que causou a parada cardiorrespiratória, que é a razão de ela estar assim hoje", disse Ricardo.

Batalha judicial por neuromodulação

Além do tratamento com células-tronco, a família ingressou na Justiça para garantir acesso a outro procedimento: a neuromodulação cerebral intensiva. O tratamento, que teria um custo anual estimado em R$ 400 mil, consiste na introdução de eletrodos no cérebro para modificar funções de células que não funcionam corretamente, combinado com outras terapias.

A família alega não ter condições financeiras de arcar com as despesas. O processo tramita em terceira instância, sob segredo de Justiça, e representa mais uma frente na longa batalha pela recuperação de Larissa, cujo sonho de se formar em medicina foi interrompido de forma trágica.