Julgamento de líder do Santo Daime por violência sexual mobiliza protestos no Rio
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), localizado no Centro da cidade, deu início nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, ao julgamento de Paulo Roberto Silva e Souza, de 76 anos. Conhecido como Padrinho Paulo, ele é o líder da igreja Santo Daime Céu do Mar, situada em São Conrado, na zona sul do Rio.
O religioso está sendo processado pelo crime de violação sexual contra ex-seguidoras, com destaque para a acusação principal envolvendo sua ex-assistente pessoal, Jéssica Nascimento de Sousa. Além dela, outras cinco mulheres também alegam terem sido vítimas de suas ações, o que amplia o escopo do caso e gera comoção pública.
Protestos em prol das vítimas antecedem o julgamento
Antes do início do julgamento, manifestantes se reuniram em frente ao tribunal para protestar em apoio às vítimas. Os atos visam chamar a atenção para a gravidade das acusações e pressionar por justiça, refletindo um crescente movimento social contra a violência sexual em contextos religiosos.
Paulo Roberto Silva e Souza está afastado da igreja devido ao processo e enfrenta medidas restritivas, incluindo a apreensão de seu passaporte e a proibição de sair do Brasil. Essas decisões judiciais buscam garantir que ele não fuja do país enquanto o caso é analisado.
Acusações detalhadas pelo Ministério Público do Rio
O Ministério Público do Rio (MPRJ) apresentou acusações formais, indicando que, entre abril de 2022 e julho de 2023, o líder religioso se aproveitou de sua posição de autoridade espiritual para cometer atos carnais com Jéssica Nascimento de Sousa. As alegações incluem violação sexual mediante fraude e violência psicológica, elementos que complicam o caso e podem influenciar a sentença.
Em dezembro de 2025, quando a denúncia veio à tona, a Justiça do Rio negou um pedido de prisão preventiva, optando pelas medidas cautelares já em vigor. Essa decisão gerou debates sobre a eficácia das respostas judiciais a crimes sexuais envolvendo figuras públicas.
Trajetória e influência do acusado no Santo Daime
Paulo Roberto Silva e Souza, natural do Rio e formado em psicologia, teve seu primeiro contato com o Santo Daime por volta de 1976. Ele fundou a igreja Céu do Mar em meados dos anos 1980, estabelecendo a primeira igreja urbana daimista, que se tornou um ponto de encontro para artistas e jornalistas.
Sua influência foi significativa na expansão da doutrina, tanto na Amazônia quanto internacionalmente, e ele desempenhou um papel-chave no processo de legalização do uso religioso da ayahuasca no Brasil em 1985. Essa trajetória contrasta com as acusações atuais, levantando questões sobre abuso de poder em comunidades espirituais.
O julgamento está sendo acompanhado de perto por grupos de direitos humanos e pela mídia, com expectativa de que possa estabelecer precedentes importantes para casos similares no futuro. A sociedade aguarda ansiosamente o desfecho, que promete impactar não apenas a comunidade do Santo Daime, mas também o debate mais amplo sobre violência sexual e responsabilidade religiosa.