Sônia Guajajara recebe alta hospitalar após internação e foca em reeleição
Sônia Guajajara recebe alta hospitalar e mira reeleição

Sônia Guajajara recebe alta hospitalar e planeja transição política

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, recebeu alta hospitalar na manhã desta quinta-feira (26), conforme comunicado oficial do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP). A líder indígena havia sido internada no sábado (21) após apresentar sintomas como mal-estar, febre alta e dor abdominal, sendo atendida pelos médicos cardiologista Sérgio Timerman e infectologista Rinaldo Focaccia Siciliano.

Recuperação satisfatória e próximos passos

De acordo com a nota divulgada pelo InCor, Guajajara respondeu bem ao tratamento durante a internação, com melhora contínua dos sintomas e recuperação do estado geral. A ministra não apresentou episódios recentes de febre e deixou o hospital em boas condições, sem dor, alimentando-se normalmente e com quadro controlado. O hospital informou ainda que ela deve seguir com medicação por período determinado e ter acompanhamento ambulatorial.

Transição para campanha eleitoral

Na sexta-feira (20), Sônia Guajajara anunciou que deixará o cargo de ministra para disputar a reeleição como deputada federal por São Paulo. Segundo ela, o último dia à frente da pasta deve ser 30 de março, com Eloy Terena, secretário-executivo do ministério e número dois da pasta, assumindo interinamente. Em entrevista recente, a ministra falou sobre sua gestão e os desafios enfrentados nos últimos três anos.

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"Eu acho que [o legado] é a retomada da demarcação das terras indígenas, a desintrusão de invasores dos territórios, mas eu acho que, sobretudo, é trazer a pauta indígena para a centralidade do debate público, para a centralidade da política pública", afirmou Guajajara.

Contexto político e avanços na gestão

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) foi criado em janeiro de 2023, no início do terceiro governo Lula (PT), com o objetivo de elevar a questão indigenista ao primeiro escalão do Executivo. A pasta busca garantir os direitos constitucionais de aproximadamente 1,7 milhão de pessoas e 305 etnias, assumindo a gestão direta de políticas de demarcação e a proteção de povos isolados.

Sônia Guajajara destacou um avanço significativo nas políticas territoriais, com a homologação de 20 terras indígenas nos últimos três anos. Esse balanço supera o total da década anterior, que registrou apenas 11 homologações. A ministra também comentou sobre o impasse jurídico entre Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso em relação às demarcações, expressando perplexidade com as paralisações.

Cronograma de homologações recentes

Segundo o ministério, o cronograma de retomada das demarcações teve início em 2023, com seis áreas oficializadas em abril daquele ano:

  • Arara do Rio Amazônia (AC)
  • Kariri Xocó (AL)
  • Rio dos Índios (RS)
  • Tremembé da Barra do Mandaú (CE)
  • Uneiuxi (AM)
  • Ava Canoeiro (GO)

Em setembro do mesmo ano, foram homologadas as terras Rio Gregório (AC) e Acapuri de Cima (AM). Em 2024, as ações contemplaram as TIs Cacique Fontoura (MT) e Aldeia Velha (BA) em abril, além de Potiguara de Monte-Mor (PA), Morros dos Cavalos (SC) e Toldo Imbu (SC) em dezembro.

Em 2025, o Ceará recebeu três novas áreas homologadas em agosto (Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas), durante a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Em novembro, durante a COP 30 em Belém, houve a homologação de quatro territórios: Kaxuyana-Tunayana (PA/AM), Parecis (MT), Uirapuru (MT) e Manoki (MT).

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