DPU recomenda medidas urgentes para Casa Dia de HIV/Aids em Belém após vistoria
DPU pede ações para Casa Dia de HIV/Aids em Belém

DPU recomenda medidas urgentes para Casa Dia de HIV/Aids em Belém após vistoria

A Defensoria Pública da União (DPU) emitiu uma recomendação formal na última quinta-feira, dia 29, direcionada à Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma). O documento solicita a adoção imediata de medidas para a regularização da Casa Dia, um centro de referência crucial no atendimento a pacientes com HIV/Aids e tuberculose na capital paraense.

Unidade essencial com graves problemas estruturais

Localizada no bairro da Sacramenta, em Belém, a Casa Dia atende aproximadamente 10.393 pessoas cadastradas, incluindo 21 crianças. A DPU alerta que a unidade enfrenta sérias dificuldades, como a falta de medicamentos essenciais e irregularidades administrativas que comprometem diretamente a qualidade do serviço prestado.

Até julho de 2025, foram registrados 77 óbitos entre os usuários do centro, além de 324 pessoas em tratamento ativo para tuberculose. A Sesma tem um prazo de 15 dias para se posicionar sobre o acolhimento das recomendações, que, embora não sejam obrigatórias, podem servir de base para ações judiciais caso não haja uma solução administrativa adequada.

Vistoria revela condições precárias e riscos à saúde

A recomendação foi expedida após uma vistoria realizada em dezembro de 2025 pelo Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA), a pedido da DPU. O relatório da inspeção apontou que o prédio onde funciona o centro é antigo e está em estado de deterioração, com consultórios em condições inadequadas de higiene, piso danificado e aparelhos de ar-condicionado sem manutenção regular.

Entre os problemas mais graves identificados estão:

  • Ausência de medicamentos fundamentais, como Fluconazol e Sulfametoxazol + Trimetropina, usados na prevenção de infecções oportunistas em pacientes imunodeprimidos.
  • Perda recorrente de prontuários físicos, armazenados de forma inadequada.
  • Desorganização nas agendas médicas e falta de apoio presencial para pacientes de baixa renda agendarem consultas online.
  • Elevador inoperante e ausência de extintores de incêndio, representando riscos à segurança.
  • Desativação do Hospital Dia, espaço utilizado para procedimentos como hidratação e inalação.

Irregularidades administrativas e carência de profissionais

No campo administrativo, a unidade apresenta falhas significativas, incluindo a falta de inscrição junto ao CRM-PA e a inexistência de um Diretor Técnico Médico formalmente designado, em desacordo com as normas sanitárias vigentes. A Casa Dia também sofre com a carência de profissionais de saúde, especialmente psicólogos, apesar da alta demanda reprimida por atendimento psicossocial entre os pacientes.

"A Casa Dia como centro de referência que é não pode ter falta de medicamentos básicos. É preciso tratar os pacientes com dignidade", afirmou o defensor regional de Direitos Humanos da DPU no Pará, Marcos Wagner Teixeira.

Principais medidas recomendadas pela DPU

Entre as ações urgentes solicitadas à Sesma, destacam-se:

  1. Compra imediata dos medicamentos em falta para garantir a continuidade dos tratamentos.
  2. Mudança de local da Casa Dia devido à deterioração do prédio atual, visando melhorar as condições estruturais.
  3. Reativação do Hospital Dia para retomar procedimentos essenciais como hidratação e inalação.
  4. Contratação de psicólogos para atender a demanda psicossocial dos pacientes.
  5. Disponibilização de um servidor para auxiliar no agendamento de consultas, especialmente para pessoas de baixa renda.
  6. Informatização integral do serviço com implantação de prontuários eletrônicos, reduzindo a perda de documentos.
  7. Regularização cadastral da unidade e do corpo clínico junto ao CRM-PA, assegurando a conformidade com as normas sanitárias.

A situação da Casa Dia em Belém evidencia os desafios enfrentados pela saúde pública no atendimento a grupos vulneráveis, reforçando a necessidade de ações coordenadas para garantir o direito à saúde e à dignidade dos pacientes.