Vereadores de SP Recuam de Viagem a Nova York: Pressão Popular Fala Mais Alto
Vereadores de SP cancelam viagem a NY com verba pública

Parece que o bom senso — finalmente — prevaleceu. Ou será que foi a pressão popular que falou mais alto? Eis a questão que fica no ar depois do recuo histórico dos vereadores paulistanos.

A ideia, francamente, era das mais absurdas: uma delegação de parlamentares da Câmara Municipal de São Paulo planejava embarcar para Nova York, tudo pago com o suado dinheiro dos contribuintes. O destino? Um evento sobre cidades inteligentes. A justificativa? Aprender sobre inovação e tecnologia. A realidade? Uma comoção generalizada nas redes sociais e na imprensa que fez tremer as bases do plenário.

Não deu outra. A repercussão foi tão negativa — e tão imediata — que em menos de 48 horas o projeto virou pó. A Presidência da Casa, representada por Milton Leite (União Brasil), comunicou o cancelamento. Disse, em nota bem-comportada, que "diante do momento fiscal que vivemos, priorizaremos a austeridade". Austeridade, essa palavra que só aparece quando a opinião pública esquenta.

O que choca não é só o valor — R$ 210 mil, uma pequena fortuna —, mas o timing. Enquanto a cidade enfrenta crises sérias em mobilidade, saúde e segurança, alguém achou que era hora de viajar. Será que iam aprender com os novaiorquinos como consertar buraco em rua? Ou como reduzir filas em UPAs?

Ah, e não pense que a viagem era modestinha. A comitiva incluía 14 pessoas — entre vereadores e assessores —, e os gastos previstos incluíam passagens aéreas, hospedagem, alimentação e até traslados. Tudo first class, é claro. Quase um pacote de férias com etiqueta de "missão oficial".

O pior de tudo é que essa não é — nem de longe — a primeira vez. Esse tipo de "jabuticaba fiscal" já virou tradição em casas legislativas Brasil afora. Mas desta vez a população não engoliu. O coro nas redes foi unânime: "Que absurdo!", "Isso é um desrespeito!", "Cadhe o Tribunal de Contas?".

Resta saber se o aprendizado sobre smart cities — que deveria ocorrer lá fora — não acabou acontecendo aqui dentro. A lição mais valiosa veio da rua: o poder da vigilância popular. E essa, sim, não tem preço.