Em ano eleitoral, eventos públicos ganham contornos políticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado, 23, da inauguração da nova sede do Centro Tecnológico em Saúde da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Acompanhado do governador interino Ricardo Couto, desembargador e presidente licenciado do Tribunal de Justiça do estado, Lula fez duras declarações sobre a situação política fluminense.
Lula pressiona por combate à corrupção e milícias
Diante da imprensa, Lula afirmou que Couto deve priorizar o combate à corrupção e às milícias infiltradas na política fluminense. Como exerce mandato temporário de apenas cinco meses, o governador interino não tem tempo para obras. “Ninguém espera que você faça um viaduto, uma ponte, uma praia artificial. Sabe o que as pessoas esperam de você? Trabalhe para prender todos os ladrões que governaram este estado e os deputados que fazem parte de uma milícia organizada”, declarou o presidente.
Disputa jurídica pela sucessão estadual
Couto assumiu em meio à disputa jurídica sobre quem comandaria o Rio até as eleições de outubro. O grupo político ligado ao ex-governador Cláudio Castro articulou eleições indiretas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), contestadas na Justiça. O impasse depende de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Justiça Eleitoral.
Alerta de Lula sobre risco miliciano
Durante o evento, Lula demonstrou preocupação com a hipótese de a Alerj escolher o próximo governador tampão. Segundo ele, caso o Legislativo conduzisse a sucessão, “ia vir um miliciano”. O Palácio do Planalto acompanha o cenário de perto, pois quem assumir temporariamente o governo controlará a máquina administrativa em ano eleitoral. Entre os nomes ligados a Castro está o deputado estadual Douglas Ruas, aliado da base governista na Alerj e apontado como liderança do bloco do ex-governador, filiado ao Partido Liberal (PL).



