
Pense na última vez que você entrou em uma Câmara Municipal. Para a maioria, é um lugar distante, quase mítico, onde decisões importantes são tomadas behind closed doors. Em Presidente Prudente, essa percepção está com os dias contados.
O programa Câmara Aberta à Educação não é mais apenas uma ideia promissora – tornou-se lei. Sancionada na última quarta-feira (27), a iniciativa formaliza uma ponte direta entre o plenário e as salas de aula. E olha, a coisa é bem mais prática do que se imagina.
Não é Só Visita Guiada. É Mão na Massa.
O que me chamou a atenção não foi só a proposta, mas a metodologia. Não se trata daquela excursão escolar tradicional, onde os alunos ficam olhando o ambiente de longe, entediados. A coisa aqui é hands-on. Os estudantes – do ensino fundamental ao médio – são convidados a simular sessões legislativas, elaborar pequenos projetos de lei e, pasmem, debater nas comissões temáticas. É política de verdade, só que em escala educacional.
“A gente viu que só falar sobre o papel do vereador não era suficiente”, comenta um assessor da casa, que preferiu não se identificar. “Eles precisam botar a mão na massa, sentir o desafio de negociar, argumentar e entender que política se faz com diálogo – muitas vezes, diálogo difícil.”
Quem Tá por Trás da Ideia?
O autor do projeto, vereador João Victor (Republicanos), parece ter acertado em cheio no timing. Num momento em que a desconfiança na política bate recorde, levar a juventude para dentro do processo é quase um ato de rebeldia – uma rebeldia necessária.
“A gente não pode mais ficar reclamando de que ‘os jovens não se interessam por política’ se a gente não der a eles as ferramentas e o acesso”, dispara o parlamentar, em um tom que mistura entusiasmo e urgência.
E Como Funciona na Prática?
- Visitas previamente agendadas com roteiro pedagógico;
- Simulação de sessões legislativas com temas do interesse dos alunos;
- Interação direta com vereadores e servidores, que atuam como monitores;
- Produção de material didático exclusivo sobre o funcionamento da Casa.
Nada mal, hein? É daquelas ideias que a gente pensa: “por que não fizeram isso antes?”.
O programa já havia sido implementado em caráter experimental – e pelo visto, deu certo. Agora, com o status de lei, ganha orçamento, continuidade e a chance de se tornar política de Estado, e não só de governo. Isso é raro.
Presidente Prudente, aliás, parece estar virando um pequeno laboratório cívico no oeste paulista. Quem sabe serve de exemplo – quem me dera – para outras cidades do Brasil. Num país onde a educação política ainda é tratada como tabu, iniciativas como essa soam quase revolucionárias.
No fim das contas, não se trata de formar futuros políticos. Trata-se de formar cidadãos. E talvez, só talvez, esse seja o legado mais importante que um legislativo municipal pode deixar.